Ubatuba

A alta do dólar e o custo de vida absurdamente alto em que estamos vivendo nos faz abrir mais os olhos para roteiros lindíssimos e próximos da gente. Não sei onde essa conta vai chegar, mas teremos que cortar o lazer para pagar somente as contas de sobrevivência? 

Embora esteja chegando a época do montanhismo, período de seca, resolvi aproveitar justamente esse momento para ir para a Serra do Mar. A Serra do Mar vai desde o Estado do Rio de Janeiro até o Norte do Rio Grande do Sul, e é uma região chuvosa, devido à geografia.

Escolhi Ubatuba. Havia 20 anos que não ia para lá e não lembrava nem das praias que conheci na época, somente que quando fui, no período de carnaval, havia chovido muito.

Aquela pesquisa inicial no google e já começam as dúvidas de onde ficar. Ubatuba tem muita opção de praias e algumas são distantes. Dependendo de onde ficar, compromete nesse deslocamento até o centro. Não quis abrir mão de ficar próximo para conhecer o comércio local (restaurantes, cafeterias e lojas).

Aluguei um apartamento pelo airbnb na praia de Perequê-Açu. Éramos quatro e o custo saiu relativamente baixo. Chegando lá, entendi o porquê. O bairro é feio e não há um comércio local interessante. Não estou falando da praia, que é bonita e possui quiosques por toda a orla. A vantagem de estar ali foi realmente a localização para o centro. Ficaria de novo nessa praia? Não, optaria pelo centro ou Itaguá, bairro ao lado e muito bem servido em variedade de comércio.

Saímos do Rio no feriado de Tiradentes, bem cedo. Às 6h15 estávamos na estrada e fomos sem trânsito até lá: 4h40 de carro, sem incluir a nossa parada para um café no meio do caminho. Diretamente da cidade maravilhosa com sol e chegando em “Ubachuva”, com chuva.  Não estava acreditando nisso!

Nesse primeiro dia, resolvemos ficar na praia de Perequê-Açu. Depois de tantas horas no carro, queria mesmo era relaxar e tomar uma cerveja. No fim da tarde, fomos para o centro, ver o que cidade tem de interessante e fiquei encantada com as opções de cafés e restaurantes. Isso não é desmerecer a região, explico que o carioca está mal acostumado com serviço e atendimento bons.

Madallena Café – que lugar agradável para tomar um café e comer um doce. Comi um Banoffe divino! Fica a dica!

Cantina Bixiga – saudades que estava de comer em um bom restaurante italiano. Decoração típica e atendimento muito gentil. Não deixem de experimentar a bruschetta!

Segundo dia em Ubatuba e do jeito que o carioca ama: com muito sol! O dia estava lindo e queríamos aproveitar para conhecer ao menos duas praias bem conhecidas e super avaliadas na internet: Ilha do Prumirim, que avistamos da Rod. Rio-Santos em nossa chegada e bateu vontade de saber que lugar era esse, e Praia de Itamambuca.

Fomos para a Praia do Prumirim, de onde saem os barcos para a Ilha. Custo de 40 reais, ida e volta. A distância é bem curta, pela minha experiência de natação, calculo 1000m. Bateu muita vontade de ir nadando (estava com boia de sinalização na mochila, mais um item essencial nas minhas viagens), mas fiquei com receio de ir sozinha por ser uma rota de muito tráfego de barcos. Pegamos um taxi boat no canto direito dessa praia, recomendação que li no trip advisor e entendi que é o lado que bate menos, então melhor para sair.  

Não há estrutura de cadeiras e barracas na Ilha, mas tem opção para comer e beber. O mar definitivamente estava chamando. A água estava verde cor esmeralda, a temperatura maravilhosa e o clima, bem típico do nosso outono. Ou seja, melhor impossível. Deitada na canga, e curtindo o visual, vem aquela invejinha: um nadador, saindo da Praia do Prumirim, com boia de sinalização, e sendo acompanhado por uma pessoa no stand up. Como eu queria ter feito isso!

Saímos da Ilha no início da tarde e seguimos para Itamambuca. A praia mais famosa de Ubatuba? Bem conhecida pelas ondas, percebi isso ao chegar lá. O mar estava bom para Surf. Essa praia me lembra um pouco a estrutura da Praia de Itacoatiara, em Niterói. Ruas de terra, o comércio: padaria, restaurantes (bem avaliados), mas a praia em si é “mais selvagem”, há quiosques no canto direito e esquerdo. Toda o restante, a vegetação predomina. É linda assim. E a atmosfera mais jovem predomina em Itamambuca.

Entardecer na Rod. Rio-Santos / saindo de Itamambuca. Não sei qual é a praia.

Trilha das 7 praias

Sobraria somente um dia de trilha e a das 7 praias atendeu perfeitamente a nossa necessidade: pouco tempo de viagem, muitas praias a conhecer, e a distância que eu considero razoável para dizer que fiz uma trilha. Embora muitos relatos digam que ela possui 10km, no meu GPS, foram 7km, desde o início, no canto esquerdo da praia da Lagoinha até o Pontão da Fortaleza (mirante). Contaria mais 1km desse mirante até a praia. Mas, eu resolvi ir nadando essa última parte (tentando matar o desejo ao ver aquele nadador chegando na Ilha do Prumirim).

O caminho é sinalizado e não tem como se perder. A trilha é linda e com bastante paisagem. O fato de falar que a trilha não é difícil, não significa que ir de chinelo é uma opção. Fiquei vendo algumas pessoas caminhando assim e me assustei. Não sou “nutella”, mas dois dias atrás tinha chovido em Ubatuba e havia trechos enlameados e escorregadios. Até para quem estava na trilha com tênis de corrida, desses mais lisos na sola, teve que tomar cuidado em algumas descidas.

Praia da Lagoinha (ponto de partida)

  1. Praia do Oeste
  2. Praia do Peres
  3. Praia do Bonetinho
  4. Praia Grande do Bonete
  5. Praia Deserta
  6. Praia do Cedro do Sul
  7. Praia da Fortaleza
1. Praia do Oeste
2. Praia do Peres
Visual da Trilha: Praia do Peres / Bonetinho
3. Praia do Bonetinho
4. Praia Grande do Bonete (a minha preferida em Ubatuba)
5. Praia Deserta / 6. Praia do Cedro do Sul – separadas pelas pedras.

O trecho que apresenta maior dificuldade é o da Praia do Cedro do Sul até a da Fortaleza. Subida íngreme e uma descida que, aí sim, vai exigir um bom tênis e joelhos.

Pontão da Fortaleza à vista

Vale a pena ir até o Pontão, curtir o visual, dar uma pausa nas pernas e tirar fotos.

Nadar do Pontão da Fortaleza até a praia não foi algo planejado, ao chegar lá vi um homem já na água. A distância seria de 500m, pelos meus cálculos, e depois confirmado no Garmin. Muito fácil se comparado aos meus padrões de treinos e travessias no mar. Por que não?

Ricardo e Laís voltaram para a trilha e carregaram a minha mochila. Eu e o Rafa fomos pelo mar.

Fizemos o trecho somente de ida até a Praia da Fortaleza e com a ideia de voltar de barco para a Praia da Lagoinha. Não precisa se preocupar, é uma rota comum de barcos e há ofertas na praia, basta perguntar indicação aos vendedores locais. Na trilha, da Praia do Cedro até a Fortaleza, há também placas dos barqueiros com os contatos de telefone. Pagamos 35 reais, cada, pelo retorno.

O que levamos na mochila de cada para a trilha: água, sanduíche, barrinha de cereal e bolo Ana Maria (2un). Até a Praia do Bonete, há estrutura de vendedores na praia. Depois, somente na Praia da Fortaleza.

Encerramos esse dia maravilhoso com um jantar incrível no restaurante Jardim.

No último dia em Ubatuba, não deu para fazer tanta coisa. Ainda havia um longo caminho de volta para casa e fim do feriado prolongado. Optamos por tomar um belo café da manhã no Maria Farinha. Super indicação, seja para o café da manhã ou o da tarde. Os bolos e pães são deliciosos!

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