Expedição Lençóis Maranhenses

De todas as formas prazerosas que se tem de viajar, continuo preferindo o jeito mais roots. No ano passado, quando estava em busca de um roteiro de aventura com trekking e acampamento, procurei informações sobre os Lençóis Maranhenses e o Jalapão. Como para Lençóis não havia encontrado algo que combinasse com o meu estilo de viagem, optei pela segunda opção.  

Deixei a vontade de conhecer os Lençóis para uma outra ocasião e com a certeza de que não seria pelo método tradicional: ficar em Barreirinhas, Atins ou Santo Amaro e dali partir por um 4×4 para as dunas. Não procurei mais nada sobre lá desde a minha viagem ao Jalapão, mas a informação chegou até a mim por acaso. Uma amiga da natação comentou sobre a viagem que havia fechado com a FS Trip no nosso momento conversa-rápida pós treino. Ela me passou muito superficialmente sobre como era o estilo da viagem e se eu não animava a ir. Nesse mesmo dia, entrei em contato com o Felipe, dono da agência que leva o seu nome. Fiquei tão encantada com a proposta que logo depois confirmei com ele que iria para essa “roubada” (brincadeira que adoro dizer entre amigos… “me chamem para roubada que eu topo”).

Em maio, 1 mês antes da nossa expedição, tivemos o primeiro encontro do grupo na loja da Decathlon, no Rio, onde Felipe e equipe fizeram uma apresentação mais detalhada sobre o trekking e os itens necessários a levar para esse tipo de viagem de aventura.

Como ao longo dos anos venho adquirindo itens de trekking, para mim os gastos acabam sendo sempre menores do que daqueles que estão começando. O jeito é não se afobar… comprar o que de fato será usado mais vezes e tentar emprestado ou alugar itens que sabe lá se serão utilizados novamente. A barraca, por exemplo, aluguei com a agência. Esse é um item que não faço questão de comprar.

E assim veio o mês de junho. Embora não quisesse jogar as expectativas lá em cima, não tinha como não estar animada com o que estava por vir: mês de São João, época badalada com as festas que acontecem na região Norte e Nordeste, e além disso, semana da lua minguante. Isso significa que as estrelas e a via láctea ficam mais evidentes para nós.

Cheguei em São Luís 2 dias antes da expedição começar. Queria conhecer um pouco da capital, curtir alguma festa típica e tradicional e em seguida me aventurar nos Lençóis. O plano foi perfeito! Mais adiante explicarei sobre a festa de São João e minhas andanças por São Luís.

Lençóis Maranhenses

Dia 1 – Saímos de São Luís na madrugada da terça-feira, dia 21. Mas, algumas horas antes dessa noite, sob muitos risos, cada integrante da expedição teve a sua mochila conferida pelo Felipe e Mike. Com tanta experiência em trekking e principalmente nos Lençóis, eles realmente sabem os itens a levar necessários para os 4 dias, nem demais e nem de menos. Estávamos prontos!

Após 4 horas de viagem até Barreirinhas e mais ou menos 2h de barco até o vilarejo de Atins, demos início a nossa caminhada. Como eu sempre digo, o primeiro dia sempre é o mais sofrido por ter a adaptação natural do corpo ao peso da mochila. Sob um forte calor e com direito a mudanças de percurso devido às condições de maré, que impediram o nosso trekking margeando a praia, chegamos ao restaurante da Luzia, nosso local de almoço e pernoite, no Canto de Atins.

Em Barreirinhas, aguardando o barco para Atins

Almoço prato feito com camarões na brasa, rede para relaxar e desopilar. O paraíso era ali. A nossa tarde estava livre e nesse mesmo dia saímos da Luzia sem nossas mochilas até uma das piscinas dos Lençóis. Que delícia foi caminhar leve! Muito papo, brincadeira e aquele momento onde o grupo começa a se conhecer.

O nosso primeiro pôr do sol

Estava realmente exausta com a intensidade desse dia. Na verdade, todos nós. Após a janta e um breve bate-papo, fui dormir. Não eram nem 21h!

Dia 2 – Do Canto de Atins ao Acampamento 1: café da manhã simples e reforçado, nos despedimos da Luzia e do luxo que foi esse primeiro dia de hospedagem. Hoje sairíamos da rota dos 4×4 e do contato humano, que não fosse somente e exclusivo nosso. Se estava feliz? Muito!

Hora de se despedir da Luzia

Ritmo tranquilo e a cada hora um mergulho nas piscinas para nos refrescar. O percurso é maravilhoso e sem nenhum tipo de desconforto com o calor. Embora fosse um dia de muito sol, o vento constante e essas pausas a todo tempo para banho tornam o trekking algo muito prazeroso. Entrávamos de roupa pois rapidamente elas secavam enquanto andávamos e, além disso, atravessar as dunas não foi sofrimento, uma vez que em muitos trechos o solo é duro e não de areia fofa, o que poderia tornar a caminhada mais lenta e cansativa.

Sob as lentes do Zé e Mike… Felipe comandando a travessia do grupo
Eu e Ana tivemos o “privilégio” de pisar e afundar na areia movediça

Chegamos ao acampamento 1 no início da tarde. Tínhamos todo o restante do dia livre para curtir essa imensidão de beleza. Teve natação na piscina mais espetacular que eu já nadei! Difícil é voltar no tempo para explicar a sensação daquele momento de simplesmente nadar até onde fosse o fim. Vida marinha? Não! Parecia que era uma piscina de fibra por conta do fundo de areia estar tão intocável. Água tão transparente que eu e a Karen nadávamos afastadas e ainda assim conseguíamos ver nitidamente uma a outra. Nadador ou não, um dos itens indispensáveis a levar para os Lençóis são os óculos de natação.

O que falar do céu? A expectativa era alta em ver a via láctea e foi muito além do correspondido. O desafio passou a ser o de assistir alguma estrela cadente passar. Parece bobo, mas era um desejo coletivo.

A mulherada reunida
Acampamento 1 / pôr do sol
Um pouco do que nossos olhos puderam ver!

Dia 3 – Acampamento 1 para Acampamento 2: Não foi preciso o despertar do Mike como ele disse que faria com grito: “Bora acordar para ver o sol nascer”. O primeiro movimento do abrir a barraca, já estávamos nós nos movimentando internamente para levantar. A oportunidade era única e, sim, o desejo de viver intensamente esses momentos nos Lençóis.

Nos arrumamos e subimos pelas dunas para assistir mais um lindo dia que estava por vir. Alguns meditam, outros já falantes, outros buscando ver a posição dos planetas em relação ao sol (essa era eu via o aplicativo sky map), e outros a postos em suas câmeras profissionais. Era um show e a plateia estava pronta para ver a apresentação.

Armar e desarmar barraca gera um tempo e enquanto arrumávamos as nossas mochilas, a equipe da FS Trip levantava o acampamento. Amei a nossa estadia nesse local e nadar na piscina mais linda, mas andarilho é assim, rumo à nova base da expedição.

Não diferente do dia anterior, o trekking, as paradas a cada 1 hora para se refrescar nas piscinas, as pausas para os lanches, tudo seguia conforme o planejamento. O corpo já tinha se adaptado ao peso da mochila e estava tudo ótimo, mas meus pés já estavam machucados da sapatilha de caminhada (eram novas e não tive a sagacidade de levar meias). Esparadrapo não fixaria nesse entra e sai de água, e o jeito foi ceder a sugestão do Felipe de proteger as feridas com silver tape. A parte da ferida não é exposta à cola da fita, por isso não houve problemas algum ao removê-las depois.

Geração “Terminator 2” usa silver tape
Só acho que a 3M pode patrocinar as nossas expedições!

Chegamos ao Acampamento 2 também no início da tarde e tínhamos novamente uma tarde livre para explorar a região. Enquanto a equipe FS montava as nossas barracas, tomamos banho de piscina e almoçamos. Mais um dia de treino de natação, essa piscina não era tão clara e perfeita como a do Acampamento 1, mas com suas muitas algas e outros tipos de plantas que não sei definir, parecia um gigantesco aquário. Belezas completamente distintas, ainda bem.

Nado sincronizado

Finalizamos o nosso dia com mais um pôr do sol incrível. Voltamos para as nossas “casinhas” que a janta iria sair no capricho. O que se faz depois da janta? Hora de assistir um filme no telão. Deitamos as cangas sob a areia e ficamos admirando a via láctea até o primeiro ver uma estrela cadente passar… aí começou a brincadeira de quem iria ver mais. Não tem preço essa sensação de sermos ainda crianças.

No aguardo do pôr do sol
Acampamento 2 / Cinema ao ar livre: Guerra nas Estrelas

Dia 4 – Acampamento base 2 até Barreirinhas: último dia nos Lençóis, o nosso acordar foi tão animador que assim que o primeiro zíper de alguma barraca se movimentou e aquele barulhinho lá no fundo ecoou, já estava eu e todo mundo se levantando para ver os primeiros sinais de luz do dia. Um novo amanhecer, lindo, como deve ser sempre nesse lugar. Engraçado que quando o sol aparece ou se despede, todos nós ficamos em silêncio. É o astro-rei, definitivamente.

“Daqui pra frente, só para trás”, já dizia o Hallan, da equipe FS. No desmontar das barracas, já estava batendo saudade dos dias que pareciam intermináveis. Estávamos a pouco tempo da Lagoa dos Peixes, nosso destino final e onde os carros 4×4 nos encontrariam e nos levariam de volta a Barreirinhas. Foi simplesmente incrível estar nos Lençóis!

Quando me perguntam o porquê de tirar férias sem ter conforto, é muito difícil explicar todo o sentimento em torno. Concordo que acampar não é confortável e o sono passa longe de ser profundo. Não é gostoso dormir em um isolante térmico inflável e muito menos fazer as necessidades cavando um buraco na terra para, assim como os gatos, enterrar depois. Mas, e essa história contada? E o que os meus olhos viram e que nenhuma câmera profissional poderá registrar como eles? E os incríveis amigos que conhecemos e que compartilham do mesmo sentimento? Enquanto eu tiver saúde e disposição, com certeza o meu hotel preferido será o de bilhões de estrelas.

Fotos da expedição: Mike Thomas e Zé Machado

*Sobre São Luís e a Festa de São João

Centro histórico de São Luís – conheci a Feira Reviver que acontece no Centro histórico todos os domingos e vale a pena visitar se estiver na cidade nesse dia da semana. Artesanatos, brechós e gastronomia, além de mini shows que aconteciam pelo bairro e que se alternavam entre o forró, MPB, samba e reggae. Não sei se é tão animado assim fora da época de São João.

Parei em um restaurante lindo chamado A Vinagreira e resolvi entrar. Estava tocando um samba ao vivo e era o dia da feijoada vegana (embora adore uma carne, juro que não senti falta, muito bem substituída e aprovada). Passei um bom tempo da tarde sentada ali curtindo uma ótima apresentação, comendo e tomando a cerveja Oktos, artesanal e deliciosa.

Fui ao Centro Histórico também com guia, no dia seguinte, aí sim para perceber os detalhes dos casarões e as influências portuguesas em toda a arquitetura. Em um primeiro momento achei que fosse ser repetitivo ir duas vezes para o mesmo local, mas o dia da Feira não foi o dia de me atentar às construções e, sim às pessoas e a festa de rua.

Festa de São João – há dezenas de festas espalhadas pela cidade. Fui a duas, uma pela indicação da recepcionista do hotel, no Arraial da Cidade na Praça Maria Aragão. E a outra no IPEM, pela indicação de um uber. A festa do IPEM é maior, mais estruturada e organizada. Se for para escolher uma, essa com certeza. Foi incrível assistir um pouco das apresentações, suas indumentárias e a dança que gira em torno do bumba meu boi (não entrei a fundo no assunto). Não vi quadrilha nas festas e depois descobri que não é típica essa dança das festas de São Luís.  

Bizu do que levar:

  • Barraca
  • Mochila de trekking – 60 a 70 litros
  • Liner ou uma canga para servir como manta
  • Mini travesseiro inflável
  • Isolante térmico

Roupas

  • 1 legging
  • 1 short
  • 2 camisas longas proteção UV
  • 1 anorak
  • 1 short e camisa para dormir
  • Toalha
  • 4 calcinhas
  • 2 tops
  • 2 biquínis
  • 1 sapatilha ou sandália papete
  • 1 par de meia para usar com a sapatilha ou a papete

Utensílios

  • Saco plástico grosso para isolar as roupas e equipamentos eletrônicos da umidade. Separe as roupas em diversos sacos. Não coloque tudo dentro de um mesmo.
  • Saco plástico para o lixo
  • Capa de chuva p/ mochila
  • Óculos de sol (levei 2 por precaução)
  • Óculos e touca de natação
  • Boné e chapéu
  • Copo e recipiente para comer
  • Talheres de plástico
  • Lanterna de cabeça e de barraca
  • Pilhas
  • Power bank (carregador sem fio de baterias)
  • Refil de água 750ml e Refil 500ml para isotônico
  • Clorin (não usei)
  • Álcool gel (desde antes do Covid-19, já era essencial)
  • Protetor solar / protetor labial
  • Lenço umedecido (pacote de 48 unidades)
  • Itens de higiene pessoal biodegradável
  • Pá (para a hora do banheiro)
  • Corda de varal (o mais simples e fino) e pregadores
  • Remédio de uso pessoal. Sugestão: Advil / floratil / esparadrapo / polaramine / nebacetin

Itens para o café da Manhã e almoço para 3 dias. *A janta fazia parte do pacote

  • 1 pacote de Rap10
  • 3 pacotes de salamitos
  • 1 pacote queijo polenguinho (6 unidades)
  • 2 pacotes de patê de atum
  • Amendoim e castanha (1 pacote cada)
  • Capuccino
  • 3 barrinhas de chocolate (whey protein)
  • 3 sachês de isotônico em pó (para 500ml)
  • 2 pacotes gel de carboidratos
  • 2 pacotes de bolo Ana Maria
  • 1 pacote biscoito recheado
9kg de roupas + utensílios + comida / +3kg da barraca

5 comentários em “Expedição Lençóis Maranhenses

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