A Travessia Petro x Tere já estava na minha lista de desejos há um bom tempo, mais precisamente desde 2018, quando fui para o Morro do Açu x Portais de Hércules x Morro da Luva (2 dias). Quando conheci o Maicon, guia da Ser Aventureiro, no trekking para os Dois Bicos, disse sobre o meu desejo ainda não realizado e que assim que abrissem o Parque para a travessia gostaria de fazer parte do grupo que ele guiasse. Super atencioso, não só informou sobre o dia em que reabririam as vagas no site do PARNASO, como também fez a minha inscrição.
O abrigo (bivaque e beliches) ainda segue fechado para dormir. Foram dois meses aguardando esse fim de semana chegar, bem quando se iniciava a temporada de montanhismo. A previsão do tempo estava se mostrando ótima, clima frio e seco. Foi excelente subir o Açu sem muito sol, lembrando que da outra vez, eu sofri com o calor e as mutucas, já nessa, nenhum desses fatores para incomodar.
Em questão de distância, a subida do Açu não é tão longa, em torno de 7.5km. Mas, é bem íngreme. O que nos faz parar muitas vezes durante o caminho. Não estávamos com pressa, tudo dentro do planejado, começamos a subir por volta das 8h30 e fizemos um roteiro bem interessante, que da outra vez eu não havia feito, de parar na Cachoeira do Véu da Noiva e na das Andorinhas. Pausa para fotos e apreciação.
No primeiro dia de travessia, têm-se a vantagem de o corpo estar descansado, mas em compensação ainda se ajustando ao peso da mochila, que era lembrado o tempo todo. Com o passar dos dias, acontece o contrário, mochila adaptada, mas é o corpo que começa a cansar.
Em torno de 6h, após muitas paradas pelo caminho, incluindo o almoço, nós chegamos no abrigo do Açu. O luxo mesmo foi chegar e ver as nossas barracas já montadas (não precisamos carrega-las , pois o Maicon acertou esse serviço com o portador – Adriano). Deixamos as nossas mochilas, tomei aquele banho gelado de 3 minutos (a dica é chegar no acampamento e com o corpo ainda quente ir para o chuveiro) e fomos “turistar” pelo Castelo do Açu antes de assistir ao pôr do sol, que estava espetacular junto às nuvens.
O sol se foi e o frio chegou com vontade. O pior mesmo foi a sensação térmica, pois ventava muito nessa noite. Eu ainda torcia para que o vento cessasse durante a madrugada. Nada disso. A parte do camping que ficamos é descampada e as rajadas de vento não pararam. A terra começou a invadir a barraca (não me pergunte como) e pouco dormi durante a noite, com a impressão que fosse acordar soterrada. Comi areia nessa madrugada.
Saímos do abrigo às 4h para assistir o amanhecer do Portais de Hércules. Muito frio e ainda tentando despertar, não via a hora de ver esse amanhecer e tomar um café bem quentinho na montanha. O caminho para o Portais desvia da travessia para a Pedra do Sino. Acordar muito cedo é penoso, mas sempre há uma recompensa.
Após o nosso incrível início de manhã, retornamos à travessia. Havia um longo caminho pela frente. Além de todo o sobe e desce a percorrer lá no alto, tinha também alguns desafios a serem vencidos: o elevador, o mergulho, o Cavalinho e o coice do Cavalinho (isso ninguém me contou). Embora eu curta muito estar na montanha, tenho ainda que controlar os meus ânimos quando o assunto é altura.
O elevador não foi um trecho confortável, mas subi naquele sentimento de nem olhar para baixo. São degraus de ferro fincados na pedra. O problema, a meu ver, é que parece que esses são feitos para humanos com pelo menos 1.80m. Faltava perna para alcançar alguns desses degraus, o que fez o Maicon (coitado) escutar alguns xingamentos meus de desabafo.
Achei difícil, fiquei estressada, mesmo com toda a tranquilidade e segurança que o Maicon passava. E muito agradecida aos meus amigos da travessia, que também me ajudaram nesses trechos.
O mergulho parecia ser mais suave, uma leve descida de rapel, mas que também exige um alcance de pernas. Eu já estava mostrando os sinais de cansaço, pois elas começaram a não obedecer aos meus comandos.
Último trecho antes de chegar à Pedra do Sino, o Cavalinho. Vi um vídeo que parecia tranquilo fazer essa parte. Sinceramente, se pudesse recuar, acho que faria, pois quando dei de cara com o “bicho”, bateu pânico. Apoia-se a perna direita numa pedra, depois passa a esquerda para uma outra, segura numa pedra maior acima e sobe. O detalhe é que tudo isso é feito num penhasco. Subimos amarrados numa corda e eu acho esse item essencial para qualquer um que queira fazer essa travessia.
E quando eu achava que tudo estava encerrado, vem o trecho do coice e a escadinha final. Imagine o coice do cavalo. É nesse apoio do pé direito em um sobressalto da pedra que se impulsiona para subir com o pé esquerdo para um outro nível. Não consegui tirar fotos. Estava exausta e comecei a deixar de curtir para pensar somente em chegar. Por volta das 15h30, finalmente, o Abrigo 4.
Madrugada de muito frio, mas pelo menos sem ventos já que ali o camping é cercado por árvores. O nosso último dia de travessia, acordamos às 5h para assistir o amanhecer da Pedra do Sino. São uns 25min de subida e fomos a passos rápidos e no automático. O vento no cume estava tão forte que ficou complicado fazer o café. Encostei numa pedra, que protegia desse vento, e fiquei ali assistindo o sol surgir por trás dos 3 Picos. Silêncio. Não há o que dizer nem o que pensar.
Após esse maravilhoso amanhecer, voltamos ao abrigo. Era hora de arrumar a mochila, desmontar a barraca e tomar o nosso café da manhã, aquele último do acampamento, que parece mais um banquete de tanta fartura. Todo mundo oferece a sua comida para descer com menos peso possível.
Momento de socialização entre os montanhistas, falei ao Maicon: “Essa travessia não tinha como não dar certo. A energia desse grupo é incrível”. Faltavam 11km para chegar na sede do Parque, em Teresópolis, e o ritmo foi acelerado, se comparado com todo o caminho. Descer o Sino é realmente a parte mais fácil, embora seja a mais longa.
Bizu do que levar:
- Mochila de trekking – 60 a 70 litros
- Saco de dormir (temperatura conforto 3°C)
- Liner para saco de dormir (excelente item)
- Mini travesseiro inflável
- Isolante térmico
- Bastão de caminhada
Roupas
- 2 calças impermeáveis
- 2 camisas longas dryfit
- 1 camisa segunda pele (para dormir)
- 1 casaco Fleece
- 1 casaco de frio
- 2 pares de meia para caminhada / 1 par para dormir
- 2 gorros
- 1 balaclava
- Toalha
- 1 par de luvas
- 3 calcinhas
- 2 tops
- 1 sandália (tipo papete)
- 1 bota impermeável (já amaciada)
Utensílios
- Saco plástico grosso para isolar as roupas e equipamentos eletrônicos da umidade. Separe as roupas em diversos sacos. Não coloque tudo dentro de um mesmo.
- Saco plástico para o lixo
- Capa de chuva p/ mochila
- Óculos de sol
- Canivete
- Talheres de plástico
- Lanterna de cabeça
- Lanterna de barraca
- Pilhas
- Carregador sem fio de baterias (para celular/Go Pro/ câmera fotográfica)
- Refil de água 750ml
- Clorin (não usei)
- Álcool gel (desde antes do Covid-19, já era essencial)
- Protetor solar / protetor labial
- Lenço umedecido (pacote de 48 unidades)
- Sabonete biodegradável
- Desodorante
- Escova de dente / pasta de dente
- Remédio de uso pessoal. Sugestão: Advil / floratil / band-aid / polaramine / nebacetin
Itens para o café da Manhã e almoço. *A janta fazia parte do pacote com o Maicon
- 4 sanduíches (queijo e salame)
- Salamitos (2 pacotes)
- Queijo polenguinho (6 unidades)
- Amendoim e castanha (1 pacote cada)
- 3 Sachês de cappuccino
- 4 barrinhas de chocolate (whey protein)
- 2 pacotes gel de carboidratos
- 3 pacotes de bolo Ana Maria





























Muito legal, sonho em fazer essa Trilha.
Obrigado pelas dias!!
CurtirCurtir
Oi Antonio! Que bom que gostou… se programa pra fazer! O recomendado é ir entre abril e agosto (período de seca e melhor época para o montanhismo). 😉
CurtirCurtir
* Obrigado pelas Dicas!
CurtirCurtir