E no meio desse Brasilzão, existe o Jalapão. Terra árida, seca, cerrado brasileiro e de uma natureza que representa bem aquelas aulas de geografia. Lembrei de tantos professores explicando sobre a região do Cerrado, isso prova que prestava atenção na matéria.
Me surpreendi com o custo da viagem. Não é barato ir ao Jalapão. Pesquisei bastante também sobre as agências e há tempos seguia algumas opções no instagram, mas foi pelo trip advisor que encontrei a Cerrado Rupestre, ótima avaliação e com o roteiro mais enquadrado dentro do meu perfil de viagens.
Não tiro férias para descansar o corpo, mas sim para descansar a mente.
Após algumas conversas com a Cerrado Rupestre pelo whatsapp, defini que era a hora de desopilar. Fechei com a agência dois meses antes do dia definido e feito isso começou a minha busca por passagens aéreas com preço justo e sem tanta conexão (depois da pandemia, os voos estão parecendo mais um ônibus com asa).
A péssima experiência com a decolar.com, devido ao voo cancelado em 2020 por conta do primeiro lockdown, e ainda sem resolução, me fez optar por compras de passagens diretamente com a companhia aérea, sem intermediários. Consegui um bom voo de ida como de volta, porém por empresas diferentes. Seria somente 1 conexão na ida, em Brasília, e uma na volta, em São Paulo, sem muito tempo de espera.
A Volta ao Parque do Jalapão iniciava no domingo. Para não dar chance de haver estresse, cancelamento de voos e coisas desse tipo que pudessem atrapalhar minhas férias, optei por chegar em Palmas no sábado de manhã. Tudo correndo bem, ainda daria tempo de conhecer um pouco da capital.
Saindo do centro do crescimento populacional desenfreado como é o eixo Rio-SP, cheguei em Palmas e fiquei observando a cidade, do aeroporto até o hotel onde fiquei hospedada: planejada, extensa e praticamente ninguém caminhando na rua. Nesse mesmo dia, consegui entender o porquê disso, às 11h da manhã o calor já era absurdo.
Todo mundo que chega na cidade recebe a mesma informação: “se quiser passar o dia, Praia do Prata ou Ilha do Canela. Se quiser o entardecer / noite, Praia da Graciosa”. Eu e minha amiga Vivi fomos para a Ilha do Canela onde almoçamos e curtimos a praia e o entardecer. Estava bom ali e o pôr do sol estava lindíssimo de se ver. Após o lindo cenário, voltamos para a Praia da Graciosa, onde o barco nos deixava, e andamos pelo calçadão. Movimentado e típico de um sábado à noite.

1º dia – de Palmas a São Félix
Acordamos cedo e já de mochila pronta para o que viesse. Saímos de Palmas em 3 carros 4×4, o grupo era de 15 pessoas. O primeiro trecho saindo de Palmas é ainda com asfalto, porém não demorou muito para que o caminho de terra chegasse. O Jalapão é longe!
Nesse tempo dentro do carro, sorte do guia ou não, foi um falatório só: cinco mulheres falantes. No início de qualquer formação de grupo, geralmente é um pouco silencioso porque as pessoas ainda não se conhecem, mas não foi assim com a gente. Após um longo percurso e já sem sinal de celular paramos para almoçar na Fazenda Rosalina.
Almoço caseiro, um pouco de conversa, e lá vamos nós seguindo em direção ao Ecolodge. Caminhada leve até o rio e aquele banho gostoso para relaxar. Após aquele momento relax, voltamos para iniciar a preparação para a subida ao Morro da Catedral. Não é uma subida difícil, mas comigo sempre é assim: no primeiro dia, o corpo ainda não engrenou. Bate uma preguiça e aquele questionamento… o quê vim fazer aqui!?
A caminhada ainda tinha um pequeno trecho de escada. É curto, mas exige a preparação de todos para a subida: capacete, itens de segurança, para minimizar qualquer risco de acidente. Foi fantástico assistir o entardecer no Morro da Catedral. Longe de casa, do caos da cidade grande, sem sinal de telefone e aquele grupinho ali reunido para simplesmente usufruir desse momento.
Após a descida, já no escuro, era hora de finalmente chegarmos na pousada. O dia foi bem longo e o corpo já estava pedindo comida, banho e descanso. A expectativa para o dia seguinte já era grande: despertador acionado para às 3h da manhã, seria o dia de maior intensidade de trilha.
2º dia – São Félix
Por que acordar tão cedo? Para fugir do calor extremo do Jalapão em trechos da travessia que são descampados. Compreensível e acordado por todos que seria melhor dormir menos do que sofrer com o sol. O trekking na Travessia da Velha iniciou por volta das 4h30. Caminhamos um trecho ainda com lanterna e assistimos o amanhecer pelo caminho.
Foram 12km de caminhada até o nosso destino: chegar à prainha do Rio Novo. Era hora de desfrutar desse momento. Curtir a água, extremamente linda, clara e com temperatura maravilhosa, almoçar e ficar de papo.





Mas, não ficamos só de descanso. A Volta ao Parque é para quem busca aventura e à tarde, com as energias já recarregadas, foi a hora de nos prepararmos para descer as corredeiras do Rio Novo com a agência Novaventura, em um percurso de 10km. Simplesmente incrível!
3º dia – de São Félix a Mateiros
O dia de intensidade foi intercalado com um de relaxamento e esse foi o dia que pouco caminhamos. No caminho para Mateiros, estavam as paradas programadas para conhecer o Fervedouro Buritizinho e o Fervedouro Encontro das Águas.
O ideal é chegar cedo, como fizemos. Há uma fila de espera e o tempo máximo de permanência é de 20 minutos. Tempo justo para todo mundo aproveitar um pouquinho.
O Fervedouro é lindo e interessante de conhecer. Mas, sinceramente, as fotos são muito mais espetaculosas do que o lugar em si. Talvez porque eu curta algo mais bruto / selvagem, e esses fervedouros já estão bem estruturados.

Fervedouro Buritizinho 

Fervedouro Encontro das Águas
Entre os Fervedouros há uma trilha curta, de mais ou menos 2km. A agência nos leva até o Fervedouro Buritizinho e seguimos com os funcionários do local até o Fervedouro Encontro das Águas. Dali seguimos por uma outra trilha, atravessamos o Rio Soninho e pegamos o carro em direção à Comunidade Quilombola Mumbuca, nosso ponto de almoço e compras (região berço do capim dourado).




Após o descanso, fomos em direção à Cachoeira da Formiga. A expectativa era alta em conhecê-la, pois os guias a consideram como a mais bonita da região. Mas, ao chegar ao local, a quantidade de gente na cachoeira foi de assustar.
A nossa sorte é que durante toda a viagem, a agência Cerrado Rupestre faz o roteiro inverso às demais. Chegamos com a cachoeira cheia de gente, mas que felizmente já estavam saindo. Um primeiro momento de caos para no fim do dia poucas pessoas apreciarem aquele momento.


treinamento contra a correnteza
Para finalizar o dia, parada estratégica no Instituto Pé de Copaíba, projeto de sustentabilidade ambiental que tem como missão apoiar o Parque Estadual do Jalapão com ações de educação ambiental e plantio de mudas de espécie nativas do Cerrado para a recuperação de áreas degradadas.

4º dia – de Mateiros a Ponte Alta
Dia de acordar bem cedo novamente. Às 4h já estávamos prontos para subir a Serra do Espírito Santo. O bom do trekking noturno é que o nada que se vê na subida é apreciado na descida. Esse tipo de trekking exige preparo físico e a subida só pode ser feita com guias credenciados do Parque. Esse é um daqueles momentos em que eu penso: vale muito, mas muito mesmo, acordar cedo. É simplesmente um amanhecer maravilhoso.




Com o dia já claro, era hora de descer e, de volta ao carro, fomos para as Dunas do Jalapão. Chegamos lá sem nenhuma outra agência presente. E mais uma vez agradecendo a Cerrado Rupestre pela estratégia do turismo. Como a Serra do Espírito Santo exige preparo físico, nem todas as agências fazem esse roteiro, já as Dunas, de fácil acesso, torna-se a opção mais utilizada para o período do amanhecer / entardecer.
O tom da areia laranja dourado rodeada de Serras e Veredas.



Das Dunas para uma das prainhas do Rio Novo, aquela parada rápida para fotos na árvore dos desejos. Até os céticos se rendem, se não for pelas fitinhas, são pelas fotinhos!

Tarde relaxante. Nada ruim essa vida!
5º dia – Cânion Encantado
Saindo do Jalapão e indo para as Serras Gerais, visitamos o Canyon Encantado. Surpreendente a organização e infraestrutura oferecida no local: capacete, caneleira para proteger de picada de cobras e bastão de caminhada. Além disso, a trilha é bem sinalizada e marcada, com trechos que dificilmente seriam possíveis de caminhar em dias chuvosos, por exemplo, se não fosse pela estrutura em atender os visitantes. A trilha não é difícil, mas exige algum preparo físico, pois há muita escadaria.
Lindo dia para apreciar o cânion e a natureza ao redor!






Após o almoço, voltamos para o Jalapão e fomos conhecer a Pedra Furada. Interessante que tem Pedra Furada em tudo quanto é canto do Brasil, só não sei se em algum lugar tem a particularidade de haver colmeias de abelhas africanas como ali. A visita em silêncio é fundamental para não “causar estresse” nas amiguinhas e correr o risco de sofrer ataques.
6º dia – Ponte Alta / Taquaruçu
Uma manhã bem tranquila de passeio: visita à Lagoa do Japonês. O local possui uma infraestrutura organizada: banheiros amplos e limpos, restaurante e barquinhos + coletes de segurança, que dão saída ao ponto de visitação. Quem sabe nadar o mínimo nem precisa pegar o barco: é uma distância curtíssima, não há correnteza e muito menos profundidade. Apavoram tanto os turistas que parece até que estamos nadando no Lago Ness. Se tiver um snorkel ou óculos de natação, leve! Vale a pena nadar nessa Lagoa.



não esqueçam a go pro!
Almoçamos em um restaurante bem próximo à Lagoa do Japonês. A partir dali, começava o nosso caminho de volta para Palmas. Eu + 3 pessoas teríamos mais um dia no roteiro, em Taquaruçu. O restante do grupo dormiria em Palmas. Começava a nossa despedida.
7º dia – Taquaruçu / Palmas
Ficar mais um dia para conhecer Taquaruçu não foi dos programas mais incríveis. As trilhas são muito fáceis e para quem vem de um ritmo de viagem mais aventura, vai achar um pouco monótono esse passeio. Para não dizer que não fizemos algo diferente, nós quatro fomos para o rapel. Depois disso, conhecemos um pouco das histórias dos moradores locais e o seu artesanato.
Foi a primeira vez que fiz rapel e gostei muito da experiência. Valeu ter optado por mais um dia com a Cerrado Rupestre e ter tido essa oportunidade. Se não há interesse nesse tipo de aventura, sugiro fazer o roteiro VAP de 6 dias. No início da tarde, já estávamos de volta a Palmas.
Era o nosso último dia no centro do Brasil e decidimos curtir o fim de tarde na Praia da Graciosa, ao som do rock nacional no restaurante e bar Dona Maria Beach. Foi demais se despedir do Tocantins assim. No início da madrugada, era hora de voltar para casa.























Deixe um comentário