De Paraty-Mirim ao Saco do Mamanguá – 10k de mar

Demorei um pouco para escrever sobre essa viagem. Não sei, talvez eu tenha perdido a falta de prática na escrita, já nesse segundo ano de pandemia. Não deixei de fazer pequenas viagens próximas a minha casa (Visconde de Mauá, Ilha Grande, Cantagalo), e até mesmo uma mais distante, na Praia do Forte (BA), mas fiquei encontrando algum motivo nobre para voltar a escrever aqui. Deixei o blog paradinho e pensando se valeria a pena continuar nesse modo pessoal a escrever sobre lugares e momentos que me marcam.

Aquelas viagens dos sonhos já foram postergadas e as pequenas se tornaram uma válvula de escape para quem se diz muito inquieta para ficar em um único lugar. Na verdade, elas se tornaram extremamente satisfatórias e enriquecedoras.

Temos uma diversidade geográfica e cultural, mas o péssimo hábito de valorizar um outro país e esquecer que há muito o que fazer pelo Brasil. Se estamos amargos por nos sentirmos presos e impossibilitados de fazer algo mais grandioso, então o jeito é colocar um pouco de açúcar nesse sentimento e olhar as oportunidades ao redor.

Como sempre estive envolvida com algum tipo de aventura, não seria diferente retomar a prática de escrever falando de um dos meus esportes favoritos, a natação. Já escrevi sobre a sensação de nadar os 12km no Velho Chico, em 2019. E agora reservo esse momento de contar como foi nadar os 10km de Paraty-Mirim até o Saco do Mamanguá.

Essa foi a minha segunda visita a Paraty. A primeira, em 2017, foi para participar de uma prova de 3km do Xterra. Da mesma forma que na anterior, nesse fim de semana também fiquei por 3 dias. Para quem está perto, 3h30min de carro do RJ, não fica tão cansativo assim.

Dessa vez o desafio seria maior. Me inscrevi na travessia-passeio da SwimRunBrasil – SRB  com dois meses de antecedência. Tempo de programar a minha “fuga” do trabalho e também me preparar fisicamente para nadar todo o percurso. No final, eu já não sei mais se eu nado para viajar ou viajo para nadar.

Em meio a essa loucura de segundo lockdown, onda ‘X’ da pandemia, com vacina ou sem vacina, fui mais me preocupando em treinar e torcer para que a travessia acontecesse, e se não fosse pedir muito mais, num lindo fim de semana de sol. A Karen, da SRB, foi sinalizando sobre a previsão de lockdown, ou não, até o dia de fato.

Saímos de Niterói na manhã da sexta-feira e, apesar de alguns trechos da estrada chatos, por conta de buracos na rodovia e muitos radares, chegamos em 3h30min. Só de mudar o ar que respira, já me dá aquela sensação de férias.

Pousada Imperatriz – Paraty

Aquela breve parada para Check in e já fomos para o centro histórico. Não há tempo a perder. O plano era almoçar no lugar em que a amiga Cris disse ter ido há anos (coloca anos aí): Punto Divino. Em sinergia com o Centro Histórico, o restaurante possui um ar bucólico. Estava um pouco mais reforçada essa atmosfera, talvez pelo fato da cidade estar vazia e os restaurantes, consequentemente, vazios. Uma linda tarde de sol, 3 amigas papeando, aguardando os demais nadadores chegarem, e saboreando a gastronomia italiana.

Bruschetta – restaurante Punto Divino

Após o almoço, aquele passeio pelo Centro Histórico, até o momento de voltar para a Pousada, onde receberíamos o briefing técnico sobre a travessia do dia seguinte.

Colecionadora de Kits de provas.

Se acordo cedo para trabalhar, porque não para brincar. Despertamos às 5h30 da manhã. A saída do barco estava marcada para às 7h. Aquele café da manhã bem suave para não dar enjoo durante o nado e seguimos adiante: do cais de Paraty até Paraty-Mirim, o nosso ponto de partida para travessia, demoraria em torno de 1h.

Tempo para nos organizarmos. Depois do café da manhã, tomei o carbolift, carboidrato de lenta liberação e baixo índice glicêmico, que ajuda e muito nas provas de longa duração. Chegamos em Paraty-Mirim: sol, água na cor esmeralda e temperatura quente. Se melhorasse, estragava.

Concluída essa etapa. Estava cansada, senti a lombar no final, e sem noção de quanto já tinha nadado. Meu Garmin perdeu a conexão do GPS e pelo meus cálculos achava que ainda eram 8km, quando fui avisada por um dos remadores que nos acompanhava que a travessia estava chegando ao fim.

Objetivo cumprido e a sensação é maravilhosa por mais uma conquista pessoal. O que eu mais queria naquele momento? Alongar a lombar e pernas e tomar uma cerveja (hidratação prometida pela equipe da SRB). Reza a lenda que uma cerveja pós exercícios é extremamente benéfica ao corpo (e mente). Gosto dessa lenda.

Depois de 3h40min nadando, a pele já toda enrugada, não planejava mais entrar na água nesse dia. Mas, após a nossa travessia, ainda havia a parte do relaxamento total, na Ilha dos Cocos. Da chegada dos 10km até a Ilha, mais uns 40min de barco. Tempo para se alimentar e descansar. Quando chegamos lá, os olhos brilharam com a cor da água. A mais verde dos verdes. Esqueci o plano inicial e mergulhei novamente.

Ilha dos Cocos – baixa temporada e poucos barcos ancorados

Nadar até o Saco do Mamanguá, considerado o único fiorde do Brasil, foi uma experiência maravilhosa. Água quente, de linda transparência, e toda aquela cadeia de montanhas ao redor. Faço desse momento a minha evolução, seja física, como também espiritual. Por mais que eu esteja ali sendo acompanhada pela organização, a minha mente entra no modo meditação. O que importa é somente o momento presente, é estar ali, comigo mesmo, atenta às minhas braçadas e respiração.

2 comentários em “De Paraty-Mirim ao Saco do Mamanguá – 10k de mar

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