Monte Roraima

O Monte Roraima não é considerado uma montanha qualquer, mas sim uma montanha sagrada por toda a etnia de índios Pemón, que vive há séculos na região da Gran Sabana e do Parque Nacional Canaima (que faz a tríplice fronteira com Guiana e Brasil). Para eles, ali é a casa do deus Makunaima, criador do mundo. É o gigante verde-azulado, significado da palavra Roraima no idioma indígena.

Subir o Monte Roraima é um feito extraordinário, tanto pela questão física quanto que psicológica. Mas, na verdade, até chegar a Paraitepuy, a aldeia indígena que é a porta de entrada da longa caminhada até o topo do Monte, já se pode considerar como parte importante da expedição!

Para quem sai do Rio de Janeiro com destino a Boa Vista:

Opção somente com a LATAM ou a GOL. Comprei a passagem com 1 mês de antecedência. Esperei o máximo o preço cair; não caía. Testei dias da semana onde há promoções; nenhuma alteração. O trajeto da Gol era mais interessante, somente uma escala em Brasília, porém o preço era exorbitante. O jeito foi ir de LATAM: Rio de Janeiro – São Paulo – Brasília – Boa Vista. A volta foi o mesmo percurso.

De Boa Vista a Pacaraima: Há opções de ônibus ou de táxi. Como éramos 3, foi vantagem combinar com antecedência um táxi direto. Saiu R$50 para cada. Esse já é um valor estabelecido pela cooperativa de táxi de Boa Vista. Para quem está indo sozinho, há a opção de ir para a rodoviária e esperar o táxi fechar um grupo. Ou, ir de ônibus no valor de R$20.

Pacaraima – Santa Elena de Uairén: Fronteira Brasil – Venezuela, onde o táxi deixa os passageiros. Justamente aí foi o nosso ponto de encontro com o guia Leopoldo. Como forma de nos precaver, devido a alguns relatos lidos na internet sobre roubos e extorsão, combinamos com o mesmo de nos encontrar na fronteira. Minimize as chances de se ter problemas e frustrar tudo que se verá pela frente.

Sobre a fronteira: nada de lindo e belo nesse cenário, infelizmente. A Venezuela vive uma crise e tanto e é muito triste ver as pessoas abandonando o seu passado, a sua casa, a sua história, por sobrevivência. Vi pessoas caminhando de Pacaraima a Boa Vista (estamos falando de 200km).

Embora não tenha constatado nenhum tipo de controle real de entrada e saída, de ambos os países, indico o mais simples a se fazer para quem é brasileiro: leve somente o seu RG. Você terá somente uma fila para ir e pegar o papel de permissão de entrada à Venezuela, e uma para voltar, para entregar esse mesmo papel. Caso opte pelo passaporte, será necessário entrar na fila do passaporte para o carimbo de entrada e saída, e também terá que fazer o mesmo procedimento de quem somente levou o RG. Claro que todo o viajante quer ter a sua coleção de carimbos dos países no passaporte. Mas, nesse caso eu optei pela praticidade.

Atenção: Carteira de Motorista não é válido como documento fora do Brasil

Da fronteira até a Cidade de Santa Elena são uns 15 minutos de carro. Não vi táxis ali disponíveis para levar passageiros à cidade e pelo tumulto que é com o tráfego de pessoas, tem que se ter um receio de entrar em qualquer carro. Combine com o seu guia / agência.

Santa Elena – Paraitepuy: Na cidade, fomos ao encontro dos demais integrantes do grupo, mochileiros e carregadores. Percebi que Santa Elena “sobrevive” com esse turismo. Há muitas agências na cidade o que, ainda bem, faz essa economia girar. O real é a moeda, então nem se preocupe em trocar para o bolívar. Pela escassez de alimentos e todos os itens de necessidade básica, não espere comer algo incrível na cidade. Tudo é simples e muito caro.

A agência, que no qual eu não sabia que o Leopoldo trabalha ou tem alguma parceria, é a Backpack Tours. Os outros 3 integrantes do grupo trataram com a agência. Perguntei à Suzanne, uma das pessoas, sobre o valor que ela pagou e foi bem mais alto que o nosso.

Preparávamos as nossas últimas coisas e fiquei observando os carregadores e os guias organizando os alimentos. Não é brincadeira, exige uma logística!

Pela programação inicial, sairíamos de Santa Elena às 9h30. Mas, com todos os imprevistos que tivemos com o nosso voo (um agradecimento especial à LATAM por atrasar voos, desrespeitar o consumidor, e acabar com todo o planejamento inicial, atrasando em 1 dia a nossa chegada em Santa Elena), retardamos a saída do grupo. De Santa Elena a Paraitepuy são mais 2h de carro. É longe e só se chega em carro 4X4. Há trechos de dar medo!

Finalmente chegamos em Paraitepuy. Fizemos um lanche muito rápido enquanto cadastrávamos o nosso nome no registro de entrada do Parque Canaima. Leve um dinheiro na mão, nesse momento você terá que pagar R$20 de taxa.

Parque Canaima

Dia 1 – Paraitepuy  – Rio Tek

São 13km de distância até a chegada ao primeiro acampamento. A trilha não é difícil, mas tem uma subida chata logo no início, o que fez a minha pressão cair e eu sentir um mal-estar. Estava cansada por ter dormido somente 2h30 em Boa Vista e não ter tomado café da manhã, devido aos problemas já mencionados com a LATAM. Chamei Deus logo de cara, mas sabia exatamente qual era o motivo. Me recuperei desse primeiro susto e seguimos o ritmo. Chegamos no acampamento do Rio Tek em 3h35.

Hora de hidratar, tomar banho no rio, comer e dormir. O primeiro dia é sempre aquela situação constrangedora. Achar a água do rio gelada, “ir ao banheiro”, dormir no chão duro, ficar com receio de comer a comida e ter uma infecção. Sinceramente, algumas barreiras foram vencidas logo nesse início, até mesmo pela simples consciência de que eu queria muito estar ali.

Li em alguns blogs que se há dificuldades em fazer o primeiro dia de trilha, o melhor é desistir. Talvez tenha sido a coisa mais estúpida dita. Cada dia é um percurso diferente, porém o corpo também vai entendendo isso e esquentando. Não é por acaso que para se chegar ao topo são 3 dias de caminhada, justamente por conta da adaptação. As distâncias diminuem, mas o trajeto vai ficando mais difícil.

Sem contar os ajustes na mochila, que são muito normais quando se começa o trekking. Se você se predispôs a estar em Paraitepuy, não acho que vai parar na primeira adversidade do dia. Aí entra a questão psicológica também, a cabeça entende as etapas que estão sendo vencidas.

Pegamos um tempo muito bom nesse primeiro dia. Calor, sol e nuvens. Claro que estávamos bem distantes do Monte, mas já sabíamos que não estava chovendo lá em cima. Era um bom presságio? O guia Omar havia nos dito que na semana anterior teve muita chuva durante todos os dias. Lá estava eu começando a agradecer!

Acampamento Rio Tek
Acampamento Rio Tek

Dia 2 – Rio Tek – Acampamento base

Começamos a expedição por volta das 8h. É um dia de caminhada molhada. Atravessa-se dois rios no trecho de 10km. Não há tênis impermeável que resista atravessar esses rios. Tire-os e vá somente de meia (ótima dica dos guias para não escorregar sobre as pedras). Recomendação: use a meia suja do dia anterior para essa parte.

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O caminho é tortuoso e algumas muitas paradas para hidratação e até mesmo para jogar água sobre a nuca e o rosto. Olhava para frente e A Meta: Aquele paredão sempre como cenário no horizonte. Chegamos no acampamento base em 5h. Percebe-se que a distância vai diminuindo, mas o tempo de trilha vai ficando maior.

Resumo do dia 1 e 2
Dia 1 e 2 – de Paraitepuy ao Acampamento Base

Se no primeiro dia no Rio Tek achávamos que a água estava gelada, vocês não fazem ideia do que é tomar banho no acampamento base. Eram 2 segundos de parada cardíaca para cada mergulho que dei para molhar a cabeça. Eu ainda acho que valeu a pena essa “parada cardíaca”. É revigorante!

Na base já começamos a entender como o tempo da montanha se comportaria. Por volta das 16h entra a cerração, o vento e a chuva. Aproveitei esse momento para organizar os itens na mochila e dar uma cochilada. Analisei todos os itens que tinha levado e fiquei me perguntando se os 13kg de peso que carregava eram um exagero. Não eram. Não teve um item que eu olhasse ali dentro e pensasse como um supérfluo.

No fim da tarde, o tempo abriu e o grupo ficou ali contemplando as formações rochosas, num verdadeiro espetáculo junto ao sol e as nuvens. No fundo, já começava a sentir aquele frio na barriga tentando entender como que subiríamos até o topo. Bateu ansiedade e noite mal dormida.

Vista para o Kukenan Tepui
As mochileiras
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Dia 3 – Acampamento base – Monte Roraima

A nossa previsão de saída ao acampamento seria às 8h. Mas, o muito vento por toda a noite e durante a manhã gerou alguns contratempos: o nosso banheiro voou (up – altas aventuras) e a dificuldade em ligar o fogareiro para o nosso café da manhã foram uma das situações passadas. Nesse dia, o banheiro teve que ser sem tenda mesmo.

Não é fácil esse trecho. Subidas onde o joelho chegou a ir no queixo, literalmente. Muita pedra e muita pedra solta também. Umidade alta e a última parte que definitivamente se passa por debaixo da famosa cachoeira Passo da Lágrima é de se perguntar: tem como subir por aqui? Entenda todo o nível de dificuldade adicionando isso o peso da mochila. Meu corpo gritou, ou melhor, as pernas. Em muitos momentos pedi ajuda para subir porque elas não obedeciam ao meu comando.

O trecho final

Tivemos muita sorte em não pegar o terceiro dia com chuva e, claro,  fiquei imaginando como que seria fazer esse trecho embaixo dela. Deve ser de chorar! Sem chuva e indo num ritmo bom, demoramos 5h para subir os 4km de trilha.

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Chegamos no topo e fomos ver o visual. Uma pequena meditação e agradecimento com lágrimas à mãe natureza por estar ali. É um feito e tanto. É extraordinário a todos que se propõem fazer esse tipo de expedição, independentemente do tempo. Estamos no topo de uma imponente montanha cuja idade possui nada mais nada menos de 2,5 bilhões de anos. Nesse momento, me senti visionária: será o meu primeiro passo para chegar à lua?

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Daquele primeiro mirante até o Hotel Índio demoramos mais uns 30 minutos caminhando. Para quem acha que chegar ao topo é o mais difícil das tarefas, não faz ideia do que é chegar lá, ver aquela imensidão de rochas e saber que vai subir e descer pedras por onde quer que vá. Bateu desespero, não seria fácil nenhum dia!

Os acampamentos no alto do Monte Roraima são chamados de hotéis. Há alguns espalhados. O nosso foi logo o primeiro da chegada, o Hotel Índio. E como que eles se organizam? Os guias e carregadores se comunicam e funciona muito pela ordem de chegada também. Nós fomos o único grupo a subir no início de dezembro o que tornou tudo mais tranquilo em relação à acomodação.

Almoçamos e fomos conhecer a famosa jacuzzi. Do hotel Índio à jacuzzi são mais uns 30 minutos caminhando e, para quem já achava que tinha subido demais, esse era o item adicional que faltava. Até para tomar banho estava sofrido, mas pelo menos sem o peso da mochila.

O cenário da jacuzzi é realmente de tirar o fôlego. Os cristais em volta e ao fundo e aquela água linda, pura e geladíssima! Claro que entrei! Banho de 5 minutos e com direito a lavar o cabelo. Aviso que teve banhos de 2 minutos sendo feitos ali também, mas não revelo os nomes!

Jacuzzi

O retorno ao hotel foi a passos largos. Era a hora do comportamento já observado nos dois dias anteriores: cerração, vento e frio. Quando chegamos no acampamento, aquela surpresa linda da nossa equipe preparando pipoca e café/chá quentinho para assistir o entardecer. Esses caras são demais!

Às 20h, silêncio absoluto. Todos já dormindo.

Dia 4 – Hotel Índio (Venezuela) – Hotel Coatí (Brasil)

O topo do Monte Roraima é uma imensidão e definitivamente você tem certeza que caminha sob algum outro planeta. A natureza é muito diferente e isso me fez ir longe na imaginação. Não há vestígios de fósseis, somente as rochas e as suas esculturas. Não vi animais, a não ser pequenos sapos negros e com a barriga amarela. Estranho esse planeta com rochas, sapos pretos e muita água!

Os passos estavam longe de ser largos e rápidos e eu não estava preparada psicologicamente para mais dificuldades na caminhada, além da subida. O solo não é plano e o sobe e desce das pedras começou a fadigar as pernas. Sem um guia experiente, é muito fácil se perder no topo. E o que é proibido também tentar fazer sozinho.

Em alguns momentos dessa travessia eu senti falta de um guia que explicasse um pouco sobre o Monte e as lendas. Estava vivendo algo mágico, porém muito robotizado em fazer somente o caminho. Não sei se há guias ali com essa expertise. O Omar, quem nos acompanhou, é uma pessoa muito querida e foi atencioso com o grupo, mas não tem essa característica de explicar o que víamos ao nosso redor.

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Passamos pelo fosso, belíssimo, por sinal, porém não descemos para nos banhar e a promessa é de que isso seria feito no dia do retorno. Finalmente chegamos na tríplice fronteira (Venezuela – Brasil – Guiana), que não é nada demais, mas representa o símbolo da caminhada de qualquer um que sobe o Monte Roraima.

Fosso
Tríplice Fronteira

A partir desse ponto, estávamos no lado brasileiro e na metade do percurso até o acampamento. A vegetação desse lado é diferente, densa e abundante, e percebe-se isso claramente comparando à parte da Venezuela. Detalhe: na área do Brasil há sinalização para guiar os trilheiros com setas pintadas nas pedras.

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Hotel Coatí
Hotel Coatí
Hotel Coatí

Após percorrer 12km em 5h30, chegamos ao Hotel Coatí. Estávamos com sorte, o tempo mais uma vez nos ajudou e tínhamos um acampamento só para chamar de nosso. Segundo o Omar, em alta temporada, podem ter 30 barracas montadas. Socorro!!!!

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Dia 5 – Hotel Coatí – Lago Gladys

Como de hábito durante toda a expedição, acordamos às 5h30 da manhã. Mas, hoje nós tivemos aquele presente dos deuses: um lindo amanhecer do lado brasileiro do Monte Roraima. Olhar o Wey Tepui ao meu lado esquerdo e do direito a Reserva Raposa Serra do Sol, além de toda aquela vegetação densa e vasta do Brasil, foi demais. Era hora de agradecer mais uma vez. Fazia muito frio às 6h da manhã e para completar o incrível carinho da equipe da expedição com a gente, recebemos a surpresa de um dos carregadores, o Mário, chegando com café e chá quentinho para o grupo (bem naquele momento em que já pensávamos… vamos embora que o frio está incomodando?).

Não tem preço!
Omar
Wey Tepui
Reserva Indígena Raposa Serra do Sol

Após esse momento indescritível juntos, voltamos ao Hotel Coatí. Tomamos o nosso café da manhã e fomos para o lado da Guiana, em direção ao Rio Ouro e ao lago Gladys. O tempo que amanhecera lindo, começou a fechar. Não demorou muito, a chuva apareceu. No Rio Ouro não conseguimos ver os raios de sol sobre as pedras, o efeito dourado é o motivo para o nome dado. O Lago Gladys estava praticamente coberto pela cerração. Ainda ficamos um tempo ali e torcendo para que ela fosse embora, mas o frio apertou e voltamos para o acampamento. Se não chover ao menos um dia, não é o Monte Roraima.

Rio Ouro
Lago Gladys
Manhã fria!

No nosso plano, hoje seria aquele dia perfeito para caminhar pois estávamos somente com a nossa mochila de ataque. Quanta diferença na mobilidade e em muitos momentos me sentia no jogo do Super Mario Bros, pulando de pedra em pedra.

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Dia 6 – Hotel Coatí – Hotel Índio

As nossas preces não foram atendidas. A Chuva apertou na noite anterior e assim permaneceu por todo esse dia. A intenção era passar no vale dos cristais, no fosso (para tomar aquele banho que ficou prometido no nosso retorno) e ir ao Maverick (o ponto mais alto do Monte Roraima com 2875 metros). Estivemos no vale dos cristais, que é lindo demais! Passamos pelo fosso, mas com toda a queda d’água, já não daria mais para tomar banho ali, e nem tentamos ir ao Maverick. O cansaço tomou conta da gente. Caminhar 12km praticamente sem descanso e com péssima visibilidade e muita chuva e frio nos fez seguir direto para o Hotel Índio. Ninguém fez objeção à essa decisão.

Vale do Cristais
Vale dos Cristais

A chuva e o frio foram intensos e o que era para ser curtição, virou sofrimento durante a caminhada. Nessa hora me perguntei o que estava fazendo ali, porque não tinha feito uma expedição com menos dias, porque chovia tanto, porque, porque… Passei uma boa parte da caminhada refletindo sobre muitas coisas. Confesso que foi a melhor sessão de terapia da minha vida!

Quando chegamos no acampamento, já havia chá quente e comida prontos. Troquei a roupa por uma seca e lá estava eu com as necessidades básicas preenchidas e os nervos de volta ao lugar. Fiquei ali, serena, contemplando aquela nova paisagem, assistindo a chuva cair e curtindo o silêncio.

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Dia 7 – Hotel índio – Acampamento Rio Tek

A chuva havia cessado e um dia lindo se iniciava às 5h da manhã. A descida foi menos traumática do que imaginava. Achei que a perna fosse travar, principalmente no Passo da Lágrima (a área molhada e mais exposta à altura). O Omar me ajudou em alguns trechos e eu nem ousei ficar olhando para baixo. Depois que passamos dessa parte, já me considerava uma vitoriosa. Não que o resto tenha sido fácil. Difícil para subir, difícil para descer. Mas, com o passar dos dias, o corpo e a mente se acostumaram ao peso da mochila e ao ritmo da expedição, o que tornou o retorno menos incômodo.

Do topo do Monte ao acampamento base demoramos 4 horas para descer, uma a menos que a subida. Fizemos uma parada para almoço e breve descanso. Eu fui tomar banho de rio (aquele super gelado com 2 segundos de parada cardíaca) e repor as energias, porque sabia que tínhamos mais 10km pela frente até chegar o acampamento do Rio Tek. Foram mais 4 horas de caminhada.

Durante esse percurso, a minha mente foi para outro planeta. Eu estava tão compenetrada na caminhada que pouco se ouvia a minha voz. No fim da tarde, de volta ao Rio Tek, era hora de celebrar. Banho relaxante e a felicidade estampada no rosto de cada um dos integrantes do grupo. Jantamos juntos: os mochileiros, o guia Omar e os carregadores: Mário e Arnold. Comemoramos o sucesso da nossa travessia!

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Dia 8 – Rio Tek – Paraitepuy

Após 3h30 de caminhada do Rio Tek até Paraitepuy, onde se dá o início da expedição, chegamos nós felizes e fedorentos. Ali na aldeia, mais uma vez, celebramos a nossa conquista, só que agora com uma cerveja para brindar.

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Carinhas de felicidade

Curiosidade:

A pergunta unânime sobre o Monte Roraima foi em relação ao banheiro. O número 2 não pode ser feito no mato. Questão de preservação de um solo que contém mais pedras do que terra. Todas as expedições possuem um carregador que terá a função de recolher os lixos e o cocô.

Uma barraca especial é a cabine do banheiro e dentro há um banco plástico, com um furo no meio, e sacolas plasticas onde nós deixamos o número 2. Terminou, enrola o saco e deixa no cantinho da cabine para o carregador recolher. Nada bizarro, por incrível que pareça a minha descrição.

Esse é o resultado de 8 dias de expedição do grupo.

Bizu o que levar:

  • Mochila de trekking – 60 a 70 litros
  • Mochila de ataque pequena (15 litros) para caminhadas sem pernoite
  • Saco de dormir (temperatura mínima 0°C)
  • Isolante térmico
  • Bastão de caminhada

Roupas

  • 2 calças impermeáveis
  • 3 camisas longas dryfit (minha opção para evitar inclusive os mosquitos)
  • 1 roupa de dormir (calça e camisa segunda pele)
  • 1 casaco de chuva Anorak
  • 1 casaco Fleece
  • 4 pares de meia para caminhada / 1 meia para dormir
  • 1 gorro
  • 1 balaclava
  • 1 boné
  • Toalha
  • 1 par de luvas
  • 1 biquíni
  • 5 calcinhas
  • 3 tops
  • 1 sandália (tipo papete)
  • 1 bota impermeável (já amaciada)
  • Óculos de sol

Utensílios

  • Saco plástico grosso para isolar as roupas e equipamentos eletrônicos da umidade. Separe as roupas em diversos sacos. Não coloque tudo dentro de um mesmo.
  • Capa de chuva p/ mochila
  • Canivete
  • Lanterna de cabeça
  • Lanterna de barraca
  • Carregador sem fio de baterias (para celular/Go Pro/ câmera fotográfica)
  • Refil de água 1,5l
  • Clorin (2 pacotes)
  • Álcool gel
  • Protetor solar
  • Repelente
  • Lenço umedecido (pacote de 48 unidades)
  • Shampoo (2 em 1)
  • Sabonete biodegradável
  • desodorante
  • Escova de dente
  • Pasta de dente
  • Remédio de uso pessoal. Sugestão: Advil / dorflex / floratil / esparadrapo / gaze / soro / polaramine / nebacetin / Bepantol
  • Agulha e linha de costura
  • Corda para varal

Itens para pequenos lanches (entre as refeições)

  • Castanha de caju (300g)
  • Damasco (200g)
  • 6 barrinhas de chocolate (whey protein)
  • 1 pacote grande de M&M de amendoim
  • 1 pacote grande de bananada

Custo da viagem

Leopoldo: R$1400 (R$700 sinal e R$ 700 no dia da expedição)

Obs. Eu entrei em contato com o Leopoldo em razão das muitas referências dele em blogs e também porque uma amiga fez o trekking com ele. Porém, durante os 2 meses conversando, em nenhum momento foi informado que não seria ele o guia da expedição. Somente no dia, e quando saímos de Santa Elena com destino a Paraitepuy, nos avisou que seria o Omar. O Omar foi excelente, preocupado e sempre muito atencioso com o grupo, mas achei péssimo o que o Leopoldo fez.

Contato: Leopoldo Gonzales

Obs 2. A Suzanne, uma das integrantes da expedição, alugou o saco de dormir. Não sugiro. Se não tem um, peçam emprestado. Ela reclamou muito do odor.

Entrada do Parque Canaima: R$ 20

Passagem aérea LATAM: R$1670 (+bagagem R$ 108,00)

Táxi Boa Vista – Pacaraima – Boa Vista: R$ 100

Hospedagem Boa Vista (Quarto Triplo): R$ 102

Hospedagem Santa Elena (Quarto Triplo): R$ 20

2 comentários em “Monte Roraima

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  1. Uma das melhores viagens que já fiz!!!!! O monte é desafiador, mas vale cada metro percorrido e cada problema enfrentado!!! Conhecemos histórias lindas, de perseverança e de que a vida pode e deve ser vivida de forma mais leve!!! O relato da Joana é excelente, traduz muito bem o “espírito do Roraima”.
    Adorei minha foto com o saco de m…!!!!!

    Curtido por 1 pessoa

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