Roma

De Milão para Roma. A expectativa era o clima esquentar. E a bela surpresa um dia antes da minha chegada a Roma: nevou na cidade após um longo período de 6 anos sem. Não sabia dizer se isso era sorte ou não! Fiz o trajeto de avião saindo de Milão, o que leva em torno de 1h30. Do aeroporto eu peguei o trem expresso (Leonardo express) até a Estação Termini. Melhor porta de saída / entrada do aeroporto. Leva-se o tempo de 35min direto, ao custo de 14 euros.

Sai mais caro que o ônibus ou o trem parador. Economia porca se falarmos de tempo em cidades como Roma e Milão onde o trânsito não é nem um pouco tranquilo. Os tickets são comprados nessas máquinas automáticas ou no próprio stand de vendas. Se comprar nas máquinas automáticas, não esqueça de validar o ticket antes de entrar no trem. Você verá logo na entrada da plataforma o lugar para passa-lo. A conferência será feita por funcionários durante o trajeto. O não fazer não sei que transtorno pode acontecer. Li que isso pode causar multa. Sinceramente, não tenho certeza.

Chegando ao Termini, que mundo é o Termini! Pensei pegar um metrô até a estação que pararia. Mas, com uma mala grande, dessas de rodas, confesso que fiquei com preguiça. Fiz uma checagem de valores no uber, que me gerou um valor de 18 euros até a casa que fiquei. Não pensei duas vezes.

Acabei batendo um bom papo com o motorista do uber, que é casado com uma brasileira. Esses coincidências interessantes de viagem. Olhando a cidade muito rapidamente pelos olhos de uma janela… já sabia o quanto iria amar esse lugar!

Fiquei hospedada em um apartamento reservado no airbnb, a uma estação da Otaviano San Pietro – a entrada para o Vaticano. Nesse mesmo dia eu teria que buscar o meu ingresso para a audiência com o Papa. Nem eu sabia o quão perto estava do Vaticano!

Audiência com o Papa

Essa história começou a pouco mais de 1 mês antes da viagem. Um amigo que encontraria em Roma comentou… “Você sabia que é possível assistir a audiência do Papa de perto?” Não, eu não sabia. Depois desse comentário, fui eu fuxicar o site do Vaticano. Antes de mais nada, precisava saber da agenda dele, se batia com a minha. Feito. Haveria uma audiência na quarta-feira dia 28/02, um dia depois da minha chegada em Roma.

Próximo passo: Como participar da audiência? Pelo próprio site do Vaticano se faz o download do arquivo em word para preenchimento e envio. Só fiquei chocada com a forma de envio. Pasmem, ou por fax ou pelo correios. Perdi o chão nessa hora! Fax? Mas, quem tem fax hoje em dia? E o pior, se mandasse pelo Correios, chegaria daqui a 1 ano (visto todos os atrasos de entrega do nosso incrível Correios).

A minha tentativa de envio pelo fax tradicional não deu certo. Não completava e eu não entendia o porquê. Fui para o google e acabei descobrindo um aplicativo que na verdade faz o mesmo procedimento de um fax (para quem recebe). Já para quem envia, funciona praticamente como se fosse um e-mail. O nome do aplicativo é PamFax. Me cadastrei, criei o meu número, informei o de envio, e anexei o arquivo preenchido em word.

Alguns minutos depois recebi a confirmação de recebimento pelo número que enviei. Bom, isso já era um grande salto. O jeito era esperar. Talvez ter um retorno ou talvez não. Li na internet que é necessário um prazo de 3 a 4 meses de antecedência para ter vaga e confirmação. Eu estava enviando a justamente 1 mês antes.

3 dias depois recebi por e-mail a confirmação do Vaticano

“Sra. Joana Teixeira Jahara

De nuestra mayor consideración:

Esta Prefectura tiene el agrado de confirmar su participación en la Audiencia General del Santo Padre del próximo miércoles 28 de febrero (en el Vaticano, hora 10.00)”.

Eu li uma 3x antes de acreditar! Achei um máximo! Isso não quer dizer que todos que enviarem o formulário nesse prazo conseguirão. Pode ser que na alta temporada a demanda seja muito maior. Estava viajando numa época de baixa temporada. É importante levar isso em consideração.

Um dia antes estava eu indo ao Vaticano pegar o bilhete de entrada. Existe a opção de também pegar no mesmo dia. Mas, com uma cerimônia de grande demanda, não queria arriscar atrasos.

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O dia

O horário oficial para início é às 10h, mas às 8h30 já estava na porta do Vaticano. Até passar pelos detectores de metal, filas e tudo o mais, exige um tempo. Além de querer assegurar um bom assento. Vá com antecedência para fazer tudo com tranquilidade. O clima e a energia tem que estar em harmonia. Consegui um lugar bem central e fiquei ali analisando o perfil de pessoas que estavam. Estariam presentes os carismáticos, os devotos e os curiosos, como eu. Embora não seja uma católica praticante, queria viver aquele momento. E digo que foi incrível, simplesmente pelo fato de ter ido disposta a ver e a ouvir.

O Papa Francisco definitivamente é pop! Com 10min antes do início marcado, ele apareceu no salão, pelos fundos. Que emocionante… eram gritos e flashes. Carismático, veio em direção às pessoas. Tempo para selfies, abraços e recebimento de presentes.

Minha análise sobre a audiência, que fique claro, não é uma missa. Leitura de alguns pontos do evangelho. Era lido inclusive em vários idiomas, o que torna a cerimônia longa. O Papa fazia os seus comentários, em italiano, em cima dessa leitura. Um italiano bem pausado e limpo, o que para gente não é impeditivo. Dá para compreender.

Após o término da audiência, o Papa se dirige aos primeiros assentos, reservados a pessoas com deficiência e aos noivos, que estão ali para receber a benção. Achei incrível. Eu ali o vendo…falar um por um com essas pessoas. Que emocionante! Um Papa próximo e um líder que a igreja católica há tempos não tinha.

Sobre o que eu acho de estar ali, de ter conseguido essa acesso? Sim, eu tentei. Mas, acho que isso é um reflexo da transformação da igreja nos últimos tempos. Mais próximo dos simples mortais, como eu.

A minha opinião sobre agências que cobram valores para garantir o seu assento. Nunca haverá garantia se você chegar tarde e estiver lotado, mesmo com convite. O Vaticano não cobra nada para estarmos ali. Gente tentando ganhar dinheiro fácil tem em qualquer lugar do mundo.

Após toda uma manhã no vaticano, aproveitando para também conhecer a Basílica São Pedro, segui em direção ao Castelo Sant’Angelo. Fica bem próximo do Vaticano. Paradas em cafeteria para esquentar a alma em frente ao rio Tevere e caminhadas longas até o Fontana di Trevi e ao Panteão. A verdade é que o que mais se precisa em Roma é de pernas, disposição e um mapa na mão. A cidade é um museu a céu aberto. O importante é se planejar para não perder tempo com o que não vale a pena. Isso é um critério pessoal.

Castelo Sant’Angelo:

Fontana di Trevi

Pantheon

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Meu terceiro dia em Roma estava reservado para o Bike tour. Fiz essa reserva pelo airbnb – “Taste of Rome with a retro bike”. Eu adoro esses passeios com locais. E a experiência foi simplesmente incrível com o Luca. Lembrando que não é um passeio turístico e o Luca reforça isso. É um passeio com um local, que ama bicicleta e história.

Iniciamos o nosso encontro em frente à loja de bike que ele tem em Roma. De lá, demos uma parada na padaria em que ele toma café da manhã todos os dias. O que os italianos basicamente comem em seu café da manhã? O famoso Cornetto (é um croissant com recheio doce) e um cappuccino ou expresso. Ficamos lá sentados na padaria comendo, falando de política (estávamos em uma semana tensa na Itália, em volta ao noticiário sobre as eleições que aconteceriam nos próximos dias). Igual ao Brasil, aqueles políticos de sempre que não querem largar o poder. Quando falei do Berlusconi, o Luca surpreso me perguntou: “Você sabe da nossa política”? E eu respondi: “Temos alguns Berlusconis no Brasil”.

Após esse momento, fomos pedalar em direção ao Trastevere. Eu já amava esse lugar só de ter lido. Agora, mais ainda. Recomendo o livro: Quatro Estações em Roma, de Anthony Doerr. É uma biografia do escritor americano que morou em Roma / Trastevere. É uma delícia a narrativa dele sobre o lugar e a experiência de vida em um ano de Itália.

Antes de Chegar em Trastevere, passamos por trechos interessantes como Tiberina Island e o distrito Romano-judeu (ghetto). Paradas estratégicas com um pouquinho de história, mais despojada contada por um local.

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Largo di Torre Argentina

Trastevere é um local bem badalado. Restaurantes, lojas, padarias, tudo numa pegada mais cool / alternativa. É linda a arquitetura do local. Nós paramos para um lanche no Marco Roscioli. Esse misto de padaria / pizzaria e é bem famoso em Roma. Eu não tirava os olhos do balcão e do forno. É uma logística absurda de produção de pizza. E que pizzas! Até a de molho de tomate (e só) era maravilhosa! Pizza boa não precisa de muita coisa, sempre falo isso!

Mercati di Traiano, o Foro Traiano, o Colosseo estão na nossa rota, até chegarmos ao Testaccio Market. Estava satisfeita com a comida e o Luca diz: “agora vamos para o mercado almoçar!” Não havia mais espaço para comida, mas quando ele disse que a pasta era preparada por um chef, que era imperdível etc etc. Sempre cabe mais…

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A Roma com muito pedal

Foi incrível nós sentados num mercado local, tomando vinho, comendo queijo e esperando os nossos pratos serem preparados. Não resisti, trouxe para o Brasil alguns pacotes da massa artesanal do Chef. Terminamos o nosso dia numa sorveteria, escondida, com a mesma apresentação da que foi fundada em 1914. Ah, o famoso gelato italiano! É divino, mesmo no inverno.

Depois de todo esse relato sobre o passeio, acho que não fica dúvidas do quanto eu amei essa experiência!

A programação foi intensa e ainda tinha mais dois dias em Roma, porém mais livre em saber o que fazer. Planejei voltar ao Coliseu, dessa vez fazendo a visita interna. No bike tour só passamos por fora. Paguei pelo áudio guide, como na Cathedral Duomo, em Milão, e fiquei ali me deliciando com as explicações sobre o lugar. É muito detalhe e muita história. Eu ficava ali sentada em alguns pontos, ouvindo, vivendo aquele momento e praticamente vindo à mente o filme gladiador (Russel Crowe estava demais…).

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Coliseu, Palatino e dali segui andando para o Trastevere. Não é perto, mas, fui sem pressa. Me perdi em Trastevere. É muita rua sem saída. Me deparei algumas vezes com a parede na cara. Mas, me perdi também no bom sentido. Muitas pausas para foto. O lugar tem o seu charme e peculiaridade. Dali voltei andando até o Vaticano. Segui o Rio Tevere, parei para tirar muitas fotos, tomar sorvete e curtir o fim de tarde. Eu, eu mesmo e um gelato. Ver o entardecer com o castelo Sant’Angelo ao fundo me trouxe uma paz enorme. Estava feliz.

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do Rio Tevere para o Castelo Sant’Angelo

Meu último dia em Roma, acordei sob uma forte chuva. Estava desolada! O que se faz numa cidade como Roma onde, para mim, tudo que é bom está nas ruas? Esperei um pouco e nada da chuva apaziguar. Resolvi encarar, comprei um guarda-chuva e fui assim mesmo para um lado de Roma que ainda não tinha ido: Piazza del Popolo, Villa Borghese e Trinitá del Monti. Fiquei triste por ter ido à Villa Borghese em um dia chuvoso. O lugar é lindo! Tinham alguns doidos correndo. Gostaria de ter feito o mesmo.

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Piazza del Popolo

Dali segui para Trinitá del Monti e a Piazza di Spagna. O lugar também é lindo. Ao redor da Piazza estão as lojas da alta costura e muitos restaurantes. Parei para comer em um que me parecia interessante (confesso que não anotei o nome), porque havia um balcão onde as pessoas comiam. Para quem está sozinha, é mais agradável. Bati papo com italianos, tomei vinho e fui curtindo a minha tarde sem medo de ser feliz. Me despedi dos novos amigos e fui caminhar pela Via del Corso. Dos meus 5 dias em Roma, foi o único momento que voltei a me lembrar do mundo da moda. Entrei e saí de lojas e me deparei com uma rua lotada num sábado à tarde. Vale o passeio por essa Via. E quem gosta muito do consumo, o lugar é um paraíso.

 

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