Toronto

Em Toronto eu optei por me hospedar no Airbnb. Aluguei somente o quarto, o que ajudou no orçamento da minha viagem. Economiza por um lado e gasta muito em outro. Eu adoro esse esquema do Airbnb e mais um vez não me arrependi. Janine, a hostess, nos deixou bem à vontade.

A casa era bem localizada, dava para ir andando para um dos principais pontos turísticos da cidade, a CN Tower (30 minutos caminhando). O que para mim, isso não é nada. E Foi o que fizemos no primeiro dia, eu e o meu primo Ricardo, saímos pela rua, já com um mapa a tiracolo. Janine já tinha tudo preparado para a gente! Uma fofa!

Tivemos um certo azar no primeiro dia, quando a chuva ainda desabou de repente e a gente na rua sem ao certo saber o que fazer e para onde ir. Fomos ao aquário. Bem bacana, bonito e grande. Mas, não seria aquele programa prioridade. Na verdade, já tinha pensado sobre o que fazer, e o aquário não estava na lista. Mas, lá fomos nós! Uma quinta-feira e lotado, havíamos esquecido do período de férias escolar. Nunca vi tanta criança por metro quadrado. E criança ocupa espaço… Não sabia se corria dali ou se me acabava de rir! Na análise geral, foi divertido. Se viaja com crianças, vale muito a pena. Só adultos, acho que vale passar.

 

 

No segundo dia, logo cedo, alongamos as pernas e fomos correr.  Não há maneira de conhecer melhor uma cidade do que correndo ou pedalando. Toronto tem bastante área para os dois esportes. Após o treino, aproveitamos que um lindo dia de sol se iniciava e fomos à CN Tower. Sim, é cheio, sim, tem fila, mas, sim, vale a pena ir. Não dá para ignorar pontos turísticos e tradicionais. Existe a possibilidade de andar por fora da torre (com toda a devida segurança). Isso já é um pouco demais para mim. Já foi um processo demorado pisar no chão de vidro e olhar para baixo.

 

O mais legal nisso é que as crianças pulavam, se jogavam sob o chão de vidro, sem medo de ser feliz. Eu tentando tomar coragem para simplesmente pisar. Já Ricardo, hipnotizado e suando frio. Eu não conseguia parar de rir do desespero dele com altura (foi o primeiro dos muitos xingamentos direcionados a mim nessa viagem).

Após a visita à Torre pegamos um taxi boat em direção à Toronto Island. A ideia era passar a tarde pedalando e conhecendo o que os canadenses chamam de praia em Toronto. Foi uma tarde linda e prazerosa. Há locação de bicicleta na ilha, então não precisa se preocupar em alugar na cidade. O visual para Toronto é incrível. Do lado oposto à ilha, a praia. Tinha bastante gente, fiquei surpresa, e o arrependimento absurdo por não ter levado biquíni na mochila. Subestimei o tempo e a tal praia. Após a pedalada, era uma boa pedida. Fica a dica. Ir à Toronto Island não vale a pena num dia chuvoso. Não há o que fazer! Há trailers para fazer um rápido lanche, mas o pessoal leva mesmo na mochila e faz o picnic lá.

 

Como no Brasil nós temos sol para dar e vender, não nos damos conta da realidade ao redor do mundo. Enquanto estávamos na fila esperando o barco para voltar à cidade, fiquei surpresa com a quantidade de gente que ainda chegava a Toronto Island. O que tanta gente fazia nesse fim de tarde? Aproveitando o fim do verão para curtir o pôr do sol. Afinal, como disse Janine: “são quatro a cinco meses de um inverno horrível e enquanto há sol, tem que ir pra rua”.

Lamentei não ter ficado mais. Inclusive, outra opção legal deve ser o pôr do sol da CN Tower. Eu e Ricardo estávamos exaustos e famintos (só havíamos levados uns snacks na mochila) e começamos ferozmente a procurar um restaurante.

O que não falta em Toronto é opção de comida, como toda metrópole. Mas, nessas horas sentíamos a falta de um wi-fi e aquela consulta básica no tripadvisor; tudo de melhor que a internet pode oferecer.

Após algumas dúvidas e rodando pra cima e pra baixo, paramos no Cibo winebar. A pizza é ma-ra-vi-lho-sa e o atendimento excelente. Quando comparo com o Brasil (desculpem-me, mas não existe isso de não converter os valores para entender a realidade do mundo), vejo o quão caro pagamos pelos serviços no nosso país, e não necessariamente saímos satisfeitos. O Cibo é um desses lugares super badalados. Agora imagina o quanto não cobrariam em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro? Pois é, paguei na tal pizza divina $18. Pode converter que ainda sai mais barato que no Brasil! A gorjeta é que não tem jeito… 15% pelo menos. E isso é em todo o lugar do Canadá.

O Distillery District foi o nosso foco principal para o sábado. Eu curti muito a região. Parece uma mini Londres com uma pegada de Notting Hill dentro de Toronto. Lojinhas mais alternativas, porém bem carinhas. Mas, toda a área tem uma arquitetura rústica: Restaurantes, cafeterias, docerias, lojas de roupa etc. Passe uma tarde ali, almoce e ande pelo local. Não era um lugar próximo de onde estávamos. Fomos de uber e valeu a visita.

 

Niagara on the Lake

Há bastante opções de tours que te levam a Niagara on the Lake e a Niagara Falls. Não encontrei a opção que contemplasse as duas coisas no mesmo dia. Ou era visita e degustação às vinícolas ou era a opção das Cataratas. A ideia de alugar o carro foi a melhor e assim poderia conhecer as duas partes do Niagara no mesmo dia. Niagara fica em torno de 1h30 de Toronto. Como fomos num belo domingo de sol, pegamos trânsito ao sair da cidade. Mas, quando se está de férias e não há compromisso com o relógio, pode ter o pior trânsito do mundo que nada abala.

Resolvemos comprar um chip para o celular a incluir o GPS no carro. Estávamos pensando um pouco mais à frente, que era o sinal de telefone, em caso de necessidade, no Algonquin National Park. Mas, diferente dos EUA, não é tão barato comprar um novo chip de celular no Canadá. Para ficar mais barato, vinculamos ao nome da minha amiga que mora lá. Pagamos $57 ao total da viagem, quando ela cancelou a conta.

Só visitamos uma vinícola na região, até porque eu estava no volante e não dava para beber e esquecer da vida. Pesquisei na internet e, claro, perguntei à minha amiga a sugestão de uma que fosse bem legal. Chegamos à Inniskillin .

 

Um belo lugar a visitar e também recomendo. Espaço amplo e uma área externa muito agradável para comer (eles não oferecem pratos, mas pequenas refeições como o tradicional poutine). Fizemos a degustação do icewine e que honestamente era uma novidade para mim (Nunca tinha ouvido falar disso nos meus meses em Vancouver). O cardápio dos icewines eram divididos por grupos e os subgrupos eram compostos de 5 tipos diferentes. Como havia explicado à atendente que nunca tinha experimentado ela me sugeriu começar do começo e provar os icewines mais suaves.

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a degustação

Icewine é uma bebida perigosa. Doce e suave, aquela que você vai bebendo e não sente. Quando se dá conta, já era. Fiz também a degustação do vinho tinto. Nem posso comparar, já tinha amado o icewine. Interessante o processo de produção: a uva é congelada e descongelada e resumindo o processo de descongelamento, a uva perde água, fica menor e possui maior concentração de açúcar. E por isso um vinho mais doce. O preço da garrafa é justificado pela alta perda nessa produção. As garrafas custavam em torno de $60 para cima. Não me apeguei a essa ousadia.

Niagara Falls

Após a visita ao Niagara on the lake seguimos em direção a Niagara Falls. A distância era curta, em cerca de 30 minutos estaríamos lá. Isso se Ricardo não tivesse colocado no google Maps o Niagara Falls, Nova Iorque. Estava empolgadíssima dentro do carro com o visual que quando me dei conta, Rainbow Bridge – fronteira, e sem chance de fazer um retorno. Suei frio, viajei com dois passaportes para o Canadá, o meu visto americano está no passaporte brasileiro vencido, esse que eu deixei na casa em Toronto. Afinal, só precisaria desse passaporte para fazer a escala do vôo. Escolha errada!

Não foi uma situação confortável dizer para o policial: “I’m sorry, I’m lost. I did wrong in google maps”. Banquei a idiota mesmo e poucas palavras. A vontade era de matar Ricardo. O policial não foi cortês, mas também não foi ríspido. Revistou o carro, verificou a placa no sistema, verificou o nosso passaporte, fez aquele suspense e me permitiu fazer o retorno para o Canadá.

Mas, a história não tinha acabado; havia o retorno pra o Canadá e passar pela Alfândega. Eu tirei o eTA canadense assim que foi liberado para os brasileiros; em maio de 2017. Tudo foi muito fácil e rápido, inclusive para entrar dentro do país. Quando chegamos em Toronto, fizemos todas as solicitações online, mas ninguém carimbou o nosso passaporte de entrada no país. Qual foi a primeira pergunta que a alfândega do Canadá fez ao pegar o meu passaporte? Cadê o seu visto, cadê o seu registro de entrada? Expliquei sobre o eTA, mas não soube explicar porque o meu passaporte e o de Ricardo não tinham o carimbo de entrada. Mais tempo, mais suspense, mas ao menos não encrencaram com a gente porque tínhamos o registro dos vôos, eu por e-mail e Ricardo, no papel.

Nessa brincadeira, perdemos em torno de 1h ali. Eu só queria sair do carro. Todo o icewine que eu havia degustado, evaporou. Uma história a mais para contar. É isso que eu tenho.

Falando de Niagara, o visual é indescritível! Na verdade, toda a água vem dos EUA, mas o visual deslumbrante é do Canadá. Vale a pena fazer o passeio de barco para chegar próximo às cataratas. Vá preparado para se molhar, mesmo com a capa de chuva, não dá para sair “ileso”. E é uma diversão; não há quem não faça alusão ao famoso desenho do pica-pau, e ao se aproximar das cataratas, todo mundo grita e levanta os braços. É hilário!

 

Fora as cataratas, a região é cercada de cassinos, parques e restaurantes.  A meu ver, comercial demais. Além, é claro, do Niagara Falls, o que me surpreendeu foi o caminho até lá. Muita gente pedalando pela estrada que liga Niagara on the lake a Niagara Falls. Para quem curte o esporte, vale planejar essa opção!

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