Passei mais uma noite em Toronto antes de ir para Montreal. Dei mole, podia ter saído do Algonquin National Park direto para lá. Ganharia tempo. Mas, quando me dei conta disso, a organização já estava engatilhada. Fica a dica para quem seguir esse roteiro. Parar o carro no estacionamento do Algonquin é seguro e como muitos fazem, deixando boa parte da bagagem ali.
Saímos cedo e pegamos o ônibus com destino à Montreal. Uma viagem de 5h. Dizem que tem wi-fi no ônibus. Dizem, porque pega tão mal que nem considerem essa opção.
Montreal é uma cidade grande e com uma atmosfera metade inglesa/francesa, e é perceptível para quem sai de Toronto essa transição. Ficamos muito bem localizados na cidade, no HI Montreal Hostel, o que nos favoreceu em muito para caminhar nas redondezas (e eu nem gosto disso, né!). Indico pegar um dia para assistir um show de jazz no Upstairs. A banda faz duas apresentações à noite e sempre fica cheio. Chegamos em torno das 20h e uma apresentação já acontecia, mas nos sugeriram esperar a segunda apresentação. Foi o que fizemos. E foi incrível! É uma pub frequentado por locais, com uma ótima musica e comida.
No dia seguinte fomos caminhar pelo Parc du Mont Royal e ir até o mirante, que está dentro do parque. Imaginava um acesso difícil se fosse caminhando, parecia até que era a subida do Kilimanjaro, segundo os relatos no tripadvisor. Sim, é uma caminhada, mas é prazerosa. Tão prazerosa que não nos demos conta que já estávamos lá. Tem subida e claro que cada um precisa respeitar o seu tempo, além de calçar um bom tênis e usar uma roupa confortável. Há uma vista linda da cidade!
Dali aproveitamos para ir à Basilique du Notre Dame. Não é perto. Podíamos ter pedido um taxi/ uber ou até mesmo pegar um ônibus, mas escolhemos andar pela cidade e nos familiarizar com as ruas. Fiquei encantada com a basílica! É linda! Tem fila para entrar, que no primeiro momento assusta. Mas, perdemos no máximo uns 10 minutos ali. Vale a pena a visita, mesmo não sendo uma verdadeira católica, como eu. Falo da arte, da beleza da arquitetura, da música (há uma apresentação dentro da igreja tocada no órgão), e pela diversidade. Há pessoas orando, há pessoas apreciando e há pessoas que não fazem ideia do que estão fazendo ali. Uma bela análise, por sinal!
Para quem gosta de comida árabe, indico a ida ao Garage Beirut. Um pequenino restaurante e de uma comida maravilhosa e bem servida. Eu e Ricardo estávamos numa felicidade plena! Descendentes de libaneses e famintos (a ordem dos fatores contamina a análise?). Sim, ali tínhamos certeza da nossa origem e de que a felicidade definitivamente vem do estômago!
Vieux Port de Montreal – que lugar gostoso de conhecer. Não é para gerar expectativa. É um calçadão na orla, mas é bem gostoso de passear. Um dia de sol que o diga. O visual é lindo e no verão há eventos culturais e festival de food truck.

Jardin Botanique de Montreal – Vale a visita se você vai ficar em torno de 4 dias na cidade, como ficamos, porque é um pouco fora da rota turística/cultural do centro. Há opção de comprar o ingresso somente para o Jardim como fazer um combo e ir também ao Biôdome de Montreal e ao estádio olímpico. Não fui porque tinha lido que não valia a pena. Não me arrependi. Visitar todos esses lugares vai perder boa parte do dia, ainda mais considerando que no verão há tantos eventos de rua na cidade e gratuitos.
Pedalando na cidade mais ciclística do Canadá…
O último dia ficou por conta do pedal com o Danny, guia e dono da empresa Spade & Palacio. O Danny é um cara que ama bike e fez disso uma profissão. Ele divide um escritório super bacana com uma empresa que restaura bicicletas e nas quais usamos. Eu acho isso um máximo! Empreendedorismo puro. E as bicicletas são lindas, leves e confortáveis.
Gostei da história assim que o encontrei na internet. Gostei muito mais com o ser humano que o Danny é. O passeio é um misto de cultura e esporte. Pedalamos por 4 horas pelas ruas de Montreal. Detalhes da cidade que não nos atentamos, uma arte de rua muito evidente; grafites por todo o lado. Peculiaridades de bairros que só quem vive sabe. Valeu a pedalada, valeu o picnic no parque (está incluso no pacote) e valeu o papo fugaz. Não há preço que pague esse sentimento único de sentir o sol e o vento no rosto e de conhecer uma cidade pelos olhos de quem vive.
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