Algonquin National Park

Como eu decidi ir ao Algonquin National Park? Pesquisando no google o seguinte: esportes de verão no Canadá. E a partir daí cheguei ao parque e ao Algonquin Adventure Tour . Bem recomendado no tripadvisor e no facebook, também indico a agência. Achei a equipe mais especifica a respeito do turismo que fazem, além de ter mais opções de dias. Outras que pesquisei, ofereciam o programa somente para o fim de semana. Como havia lido sobre ficar bem cheio no fim de semana, principalmente em agosto, fim do verão, preferi fugir disso.

Num primeiro momento, iríamos de ônibus. Eu achava que a logística fosse bem simples saindo de Toronto. Mas, conversando com o Stuart, dono da agência, ir de ônibus é muita contramão, além da pouca opção de ônibus. Foi a partir daí que eu mudei alguns pontos no roteiro e aluguei o carro.

Decidi pelo Canoe Camping Tour de 3 dias e foi uma boa opção. Essa coisa de “canoar” cansa. Fisicamente estou preparada, mas encarar um esporte novo e intensamente arrasa! Aquela hora que você é apresentada aos músculos até então desconhecidos.

No primeiro dia, saímos do ponto de encontro com o devido equipamento solicitado. Isso quer dizer: uma mochila de 3kg no máximo, incluindo o casaco. Nada de cremes, shampoos, guloseimas etc. Justificativa para as guloseimas e cremes era o odor que poderia atrair ursos. A agência é responsável pelo alimento durante o camping (e posso dizer que fomos muito bem servidos). Bebida alcoólica poderia levar, mas de forma bem limitada. A surpresa na lista enviada foi a maconha, também de forma limitada. Ri muito ao pensar: “Seu shampoo e desodorante podem ser substituídos por maconha!”. Risos para quem entendeu a analogia…

Do Portão de saída até o Tom Thomson Lake foram em torno de 15k de canoagem. Ainda bem que o nosso guia, o Jean, não disse a distância no início. Isso causa um abalo! Remamos muito, mas também paramos em diversos pontos, inclusive para ver as tais represas que os castores adoram fazer no meio do caminho. Também dá um trabalho destruir essas represas para passarmos com a canoa.

Chegamos bem no fim da tarde ao Tom Thomson lake. Estávamos no meio do nada e com as nossas barracas montadas (posso considerar isso um luxo). Rede e marshmallow para agregar mais um ponto nesse lugar maravilhoso. Ficamos ali curtindo o fim de tarde, sob uma fogueira, comendo e contando histórias sobre nós. Era hora do grupo se conhecer um pouco mais. Aquele tipo de conversa sem ostentação.

Hora de dormir. Hora de preparar todo o alimento, pasta de dente e seja lá mais que tenha cheiro para colocar dentro de um “tonel” (Não sei o nome, mas lembra um tonel). Dessa forma, penduramos no alto da árvore e um pouco afastada da nossa barraca. Tudo isso para caso algum urso seja atraído pelo cheiro da comida, não venha para tão perto da gente. E também tenha algum trabalho em rouba-la.

Quem é do dia só pensa em uma coisa durante à noite: dormir e repor as energias! Às 21h já estava no aconchego da barraca. Mas, acordei durante a madrugada, não faço ideia do horário, com uma chuva torrencial e barulho de que tinha algo rodeando a barraca. Passei algum tempo tentando entender o que era e um medo absurdo que pudesse ser um urso. Não tive coragem de abrir; fiquei ali na espreita e lembrando do meu canivete. Mas, o cansaço era demais e pensei: se fosse um bicho, ali fora ele ficaria. Se fosse o Jason, do filme Sexta-Feira 13 (Crhystal Lake era longe, mas vai que ele estava ali), ali fora ele também ficaria. Afinal ele não mata quem está dormindo! Apaguei.

Acordamos no dia seguinte com um tempo horrível. Tomamos o nosso café da manhã e começamos a nos preparar para mais canoagem. Estávamos no meio do lago quando uma tempestade começou. Tivemos que recuar. Muita água, muito frio e os dedinhos já começando a congelar. Voltamos para o acampamento. O jeito era tomar chocolate quente e nos aquecer.

No fim da tarde tivemos um trégua da chuva e a ótima notícia… haviam visto alces próximo ao acampamento. Estava toda aquecida em volta a fogueira e parecíamos crianças ao receber a informação. Lá fomos nós nos meter no molhado de novo. Ficamos ali estarrecidos ao ver o alce comendo Lillys (flores) na beira do lago. Minha felicidade era tremenda! Já tinha visto castores, lontras, blue Jays (a ave mais famosa do Canadá e eu não sei a tradução) e agora um alce.

Depois disso voltamos para o acampamento. De volta à fogueira, de volta aos marshmallows, de volta ao papo. Não diferente do dia anterior, por volta das 21h, estavam todos no toque de recolher. Nessa noite não vi nem ouvi nada, estava bem cansada. Mas, segundo o relato de Ricardo, que não sabia do que tinha acontecido na noite anterior porque não quis assustar, havia algo rodeando a barraca. Ele também não quis me assustar e somente me contou no dia seguinte. Ainda bem!

O terceiro dia foi de mais canoagem e de volta ao portão de onde saímos. 15k para ir / 15k para voltar. Fui me despedindo desse lugar mágico, sorrindo com o lindo dia que estava fazendo, feliz por ter aprendido um pouco sobre um esporte que exige sim técnica, e mais ainda, feliz por ter vivenciado um pouco da cultura local em tempos de verão. Me senti realizada como o meu planejamento estava dando certo e muito melhor que a expectativa. Era hora de voltar a Toronto!

 

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