El Chaltén – Capital do Trekking

A viagem de ônibus de El Calafate a El Chaltén leva em torno de 3 horas. O ônibus é confortável e bem limpinho. Cheguei com uma chuva intensa na cidade e fui caminhando até o hostel. El chaltén é tão pequena que soa um pouco absurdo pegar um táxi ali, como na rodoviária ofereceram. Mas, tive que caminhar no frio e na chuva pela noite.

O hostel não foi bem o que eu esperava. Fiquei no Lo de Trivi. Não achei o ambiente tão limpo e fiquei bem chateada quando eu vi o aviso informando que pessoas que tivessem reservado o hostel pelo booking.com e pelo hostelworld.com não tinham o café da manhã incluso. Eu juro que reservei com café da manhã, mas, preferi não me estressar. Também não paguei pelo café da manhã deles. Fui comer na padaria.

Laguna de los Tres

O meu primeiro dia de trekking seria reservado para fazer a Laguna de Los Tres. Eu fui com a agência Patagônia Hikes. Reservei porque ao pesquisar na internet, uma trilha considerada difícil, precisaria de um guia. Mas, de verdade, não precisa fazer essa trilha com ninguém. Diferente de El Calafate onde tudo tem que ser com a agência, El Chaltén é exatamente o contrário.

Sobre a Trilha, fomos de carro até a hostería El Pilar e de lá começaríamos o trekking. Embora parecesse que o sol fosse sair em algum momento, ao contrário, a chuva resolveu intensificar e estragar o meu dia. Quando alcançamos o acampamento Poincenot, onde paramos para comer, o guia informou que não seria uma boa ideia caminhar até a Laguna. Motivo 1: segurança. O vento forte e a Chuva intensa poderia nos jogar das pedras, no último acesso ao Fitz Roy. Motivo 2: mesmo que valesse a pena arriscar, não teríamos a visibilidade do Fitz Roy. Fiquei muito triste em não poder dar continuidade. Mas, em se tratando de natureza, realmente não dá para desafiar.

A opção foi seguir adiante e caminhar pela Laguna Madre e Hija, passar pelo Mirador de Torre e voltar para o hostel.

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Zona norte El Chaltén

Ao chegar no hostel percebi que poucos foram os loucos que saíram para tentar fazer algum trekking. Todos ali no espaço em comum com os seus devidos cafés, chocolates quentes ou cervejas. O jeito era torcer para a virada do tempo no dia seguinte.

Loma del Pliegue Tumbado

E o sol, amém, apareceu. Estava preocupada com essa coisa de chover justamente no momento em que cheguei à cidade. Segui a sugestão do guia da agência Patagônia Hikes e fui fazer a trilha Loma del Pliegue Tumbado. Em nível de dificuldade, só perdia para a Laguna de Los Tres. Não estava em El Chaltén para fazer trilha fácil. Previsão de caminhada 4h ida.

Saí do hostel por volta das 9h. Parei ainda na padaria para tomar o café da manhã. Eu e a minha colega de quarto, Carla, seguimos em direção à trilha.

O que posso dizer dessa trilha? Nenhum pouco famosa e eu realmente não entendi o porquê. Tão bonita!

Num primeiro momento, aquele cenário fofo da cidade, que mais se aproxima de um vilarejo. Aos poucos a paisagem foi se transformando. Do outro lado, o lago Viedma, lindo, com aquela cor esmeralda. E, à frente, o Fitz Roy e o Cerro Torre tentando aparecer.

Fizemos algumas paradas estratégicas. A trilha é uma subida constante. Não há partes planas e como isso cansa! Quando paramos no segundo mirador, já mortas, mais pausa para fotos, e a certeza que faltava pouco. Já tínhamos um visual incrível!

O último trecho foi chato. Um terreno com muitas pedras e é bem incômodo ficar andando sobre elas. Mas, enfim, chegamos lá!

Sob um vento de rasgar a alma, e os dedos congelando, o difícil era retirar a luva para tirar fotos (só estava com o celular). Uma beleza incrível, mas que vontade de sair correndo dali e tomar um chocolate quente! Não dava pra ficar muito tempo. Doía sentir aquele vento. O nosso lanche mesmo foi feito na volta, no mirador. Com um solzinho gostoso, admirando uma outra paisagem e o incrível céu de El Chaltén. Era o tempo do sangue voltar a circular normalmente na ponta dos dedos. Ficamos ali talvez uns 30min. Deu tempo até de cochilar. Delícia!!!

Sendero Loma del Pliegue Tumbado

A volta, somente descida, intensificou o nosso ritmo. Sem pausas para descanso. O vento dava o ar da graça de vez em quando. Sensação de ser carregada a qualquer momento!

Chegamos no final da tarde na cidade e sonhando com um café com leite. Paramos na primeira padaria que vimos para nos recompor. Dali para o hostel, seria banho e cama. Resolvemos ir direto ao La Taperas, seguindo indicações do Tripadvisor. Aconchegante e com uma comida saborosa. Pedi uma sopa de abóbora de entrada e o prato principal, uma cazuela de cordeiro. O prato era enorme, se soubesse nem teria pedido a sopa. Comi tudo, mas de olho grande. Dali fomos direto para o hostel – banho – cama.

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Cazuela de cordero, La Taperas

Torcendo para o dia seguinte ser tão bom quanto foi esse e sonhando com o Fitz Roy.  O que não foi o caso…

Não consegui subir o monte Fitz Roy. Fiquei chateada  pelo mal tempo, mas natureza é assim mesmo. Nós temos que respeitar. El Chaltén está no meu coração e uma nova oportunidade surgirá. Uma cidadezinha ainda pouco conhecida, menos badalada que El Calafate, mas não me surpreenderei se ela vir a ser como essa nos próximos 5 anos. Para os aventureiros, acredito que agora seja o momento!

 

 

 

 

 

 

 

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