El Calafate

El calafate é aquela cidade fofa! Pequena, limpinha, com um comércio bem interessante. Interessante, diga-se para o nosso bolso. Prepare-se para gastar. Essa tal de Patagônia está ficando cada vez mais cara!

Começando do começo e o sinal de que as coisas seriam boas: no meu voo Ushuaia – El Calafate a surpresa agradável de viajar na primeira classe. Sozinha, fazendo somente um trajeto de um voo que na verdade seguiria para Buenos Aires, e um provável caso de overbooking, fazia sentido eu ter sido a privilegiada.

Um provável caso de overbooking, porque no final da história nem faço ideia do que houve de fato. A Aerolíneas não me avisou nada no check-in. Quando entrei na aeronave, tinham que ter me filmado. Só conferi umas 29 vezes o meu papel antes de sentar. Minha cara de não estar entendendo nada devia ter falado tudo. Mochileira, usando um gorro à la Bob Marley e na primeira classe!

Chegando em El Calafate, uma outra questão, pegar táxi ou ônibus? Se tiver sorte no horário do ônibus, o custo é de $160 pesos. O Táxi, $480 pesos. O problema é que demoraria mais uma hora esperando o ônibus no aeroporto. A oferta do táxi foi dividir com mais alguém a corrida. Claro que aceitei! E um casal de meia idade do Alaska também topou a economia de gastos. Meus olhos brilharam quando os dois falaram que eram do Alaska (Depois do King Crab, são os segundos seres que eu conheço vindos de lá), foram para a Antártida e iam começar a subir. E a vontade de me oferecer para ir junto…

Passada a loucura momentânea, cheguei no Bla Guesthouse. Gostei da energia do lugar. Limpo, organizado e bem próximo da principal avenida. Ali mesmo eu comprei a minha passagem para El Chaltén, ida e volta.

Obs. Não dá para comprar pela internet a passagem rodoviária.

Estância Cristina

No meu segundo dia em El Calafate, escolhi fazer o passeio para a Estância Cristina . A saída era prevista para às 7h e pontualmente eles estavam lá. Do centro de El Calafate até o porto, é chão. Além disso, ainda tinha que buscar outras pessoas nos hotéis. Começava a entender porque a saída tinha que ser tão cedo. Me senti numa excursão de idosos. Como havia senhores! Pensei que tivesse no grupo errado, mas é um tour “aventura” bem moderada e acessível aos mais sedentários.

Apesar de não estar mais acostumada a esse tipo de tour, não posso dizer que também não curti. A Estância Cristina é bem longe, leva-se o dia inteiro. Barco, carro, um pouco de caminhada e todo aquele visual de fazer o queixo cair. Difícil descrever o que se vê. É muita luz, é muito azul e as imagens valem mais do que mil palavras.

Dentro desse tour há a opção de almoçar no restaurante da Estância ou, se preferir, pode levar o seu almoço e somente usar as dependências do restaurante. É um valor extra a ser pago e, sinceramente, não sou de fazer economia com esse tipo de coisa. Não era um almoço barato. Paguei $600 pesos. Mas, quando se encaixa a situação de comer muito bem, da entrada à sobremesa, com o acompanhamento de um bom vinho argentino, em um restaurante incrivelmente lindo no meio de um visual impressionante, eu com certeza afirmo que vale muito a pena. Incluindo a isso o fato da Estância Cristina só ficar aberta no verão.

Glaciar Perito Moreno – Big Ice

A expectativa para o trekking no Glaciar Perito Moreno era grande. Um dos meus pontos máximos da viagem, sem sombra de dúvidas. Para quem não se sente preparado para o desafio, há a opção do mini trekking. A diferença é o tempo de caminhada pelo Glacial.

Como qualquer passeio ao Glacial, tem que acordar bem cedo. E também como toda a agência que contratei, A Hielo y Aventura também chegou pontualmente. Fui pela indicação do tripadvisor e afirmo o profissionalismo e a segurança com todos os turistas.

Na primeira parte do tour nós vemos a beleza do Perito Moreno pelo ponto de observação turística tradicional. O bom de ir bem cedo é fugir também do fluxo alto de gente amontoada para ver e tirar fotos. O Perito Moreno é o glacial mais famoso, embora não seja o maior, por estar muito próximo e de fácil acesso aos simples mortais.

Eu já havia ficado maravilhada com a dimensão do Glacial e a expectativa para a segunda parte aumentava ainda mais. De lá pegamos um barco para chegar ao acesso lateral. Depois de uma caminhada enjoada, e posso dizer que também cansativa, chegamos ao ponto de colocar os crampons no pé e ter a mini aula para andar com ele.

Luvas e óculos de sol são obrigatórios. O uso da luva é justamente para proteger as mãos em caso de queda durante a caminhada. Cair com o crampon parece ser rotineiro ali. Eu não caí, mas vi muita gente tomar o estabaco no meu grupo.

Se a queda se resumir somente a isso, estamos no lucro. São tantas fendas que dá um medo absurdo de cair de fato numa delas. Mas, ao mesmo tempo que deu medo, também me senti segura. Os dois guias, num grupo de 10 pessoas, monitoram os nossos passos a todo o momento. “Só faça o caminho que nós fazemos.”

Um bom óculos de sol faz a diferença também. Por incrível que pareça há pessoas que não se atentam a esse pequeno detalhe. Mas, o excesso de luz é extremamente incômodo, imagine caminhar três horas sobre o Glacial num belo e incrível dia de sol?

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Me sentindo…

Glaciar Upsala – caiaque

Sabe aquele tipo de passeio que te deixa na dúvida porque é caro? Pois é, caro e vale cada centavo cobrado. Organização, equipe, suporte e a experiência de só quem faz um tipo de passeio desse pode descrever.

Avaliei cautelosamente tudo antes de fechar. A minha maior preocupação era, claro, a questão da segurança. “E como funciona isso? E se o caiaque virar? E se…?”. Eu estava com vários Ses na cabeça, mas ao mesmo tempo aquele sentimento de que coisa incrível deve ser explorar de caiaque o Lago Argentino.

Eu fechei com a agência Kayak Upsala Experience . Até onde eu sei só eles podem fazer o passeio de caiaque lá. As demais agências que oferecem são para outros lugares. É bom checar isso.

Depois de um longo tempo no barco. O grupo se conhecendo, começamos nós a nos arrumar com as roupas especiais. Aquilo ali é brincadeira de gente grande.

Muitas orientações sobre a remada, ajustes do caiaque, treinamento sobre como proceder em caso do mesmo virar. Era tanta informação que eu comecei a sentir o frio na barriga. Mas, confesso que esse sentimento adicionado ao esporte e todo aquele visual fizeram os meus olhos brilharem durante toda a remada. É estar no glacial de uma outra forma, e isso definitivamente não é pra qualquer um.

Como eu costumo dizer: “A vida é feita de momentos”.

Museu Glaciarium

Fui conhecer o Glaciarium no meu último dia em El Calafate. Aceitei a sugestão da funcionária do hostel e comprei a passagem para El Chaltén no fim do dia, para assim aproveitar mais um pouco de El Calafate. Os horários disponíveis de saída são às 8h; 13h e 18h pela Chalten Travel .

Confesso que me arrependi um pouco. Como El Calafate é tão pequeno, não há muito mais o que fazer na cidade, a não ser fazer mais algum passeio. Mas, como meu ônibus saía às 18h, ficava complicado reservar algum tour. Então resolvi ir no Museu Glaciarium.

O Museu é distante do centro, em torno de 6km. Mas, há transfer a cada hora saindo da secretaria de turismo até o local. Achei interessante a explicação sobre a formação dos glaciares. Complementou com as informações que eu já tinha ouvido durante os tours. A localização é belíssima e valeu a ida para preencher esse tempo disponível. Porém, não sugiro colocar no roteiro como uma obrigação a conhecer. Vá se sobrar tempo e dinheiro.

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Dentro do Glaciarium há também o Glaciobar. Eu não fui porque não vi nada de atrativo em pagar $180 pesos para ficar 25 minutos e tomar uma dose de whisky.

Depois desse passeio, voltei ao centro, comi, fiquei rodando pela lojas de El Calafate. Sem levar nada e impressionada com o preço das lembracinhas, saí dali rumo a El Chaltén. Era hora de conhecer o Monte Fitz Roy.

 

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