Teresópolis – Pedra do Sino

O dia chegou! Após três meses da reserva feita pelo site do Parque Nacional Serra dos Órgãos – PARNASO, estava eu subindo a Pedra do Sino. Teoricamente já sabia que não era a melhor época para subir, por conta da chegada do verão e as chuvas que costumam cair. E, de fato, foi o que aconteceu. Tentei negociar com São Pedro todo o período anterior, mas ele não foi tão legal assim. Na semana que antecedia a subida, o casal de amigos meus tentou desistir. Eles estavam preocupados com as chuvas constantes no Rio de Janeiro e o fato de não estarem também acostumados a fazer trilha. Eu relaxo nessas horas, contanto que não ponha em risco a minha integridade física e a vida, por mim está ok. O Parque não devolve o dinheiro por questões climáticas, e isso está bem claro quando fazemos a reserva. Decidimos ir.

Saímos de Niterói às 6h45min e chegamos à entrada do Parque às 8h30. Nessa manhã estava sem chuva e eu queria subir cedo, com receio de mudanças climáticas no meio da trilha. Mais pra frente explicarei que foi a melhor opção mesmo. Ao chegar à entrada do Parque, paramos para preencher o formulário. Um controle e segurança. O que me deixou surpresa pela organização, pois o pessoal do abrigo é avisado que estamos a caminho. E também pagamos o estacionamento (2 diárias – R$ 30). Começamos a subida mesmo por volta das 9h20min.

SOBRE A TRILHA

Muito bem marcada e não há necessidade de guia justamente por isso. Embora não haja sinalização, é somente seguir o caminho que é conservado e limpo pelos funcionários do Parque.

São 12km de subida. Achei um pouco surreal colocar uma estimativa de 3 horas para subir, como li em alguns sites. Até eu que tenho um bom preparo físico, acho difícil subir nesse tempo. Calcule em torno de 4 a 6 horas. E obviamente, vá curtindo! Se planejar a subida, não tem porque ir afobado e sem curtir o visual. Foi uma das trilhas mais bonitas que já fiz. E o barulho da água descendo o rio está o tempo todo te acompanhando. Paz total!

Chegamos no Abrigo Quatro por volta das 13h45. Foi uma felicidade e ainda com o sol ameaçando sair. Estava empolgada com a possibilidade da mudança do tempo a nosso favor e a subida final até a Pedra do Sino ao entardecer. Guardei a mochila no quarto do beliche, comi e tomei aquele incrível banho quente (5 minutos de tolerância). O custo do banho quente é pago à parte. Foram os 20 reais mais bem investidos na minha vida! Ainda mais quando estamos falando do clima de montanha.

O sol só ameaçou mesmo sair. O tempo de repente virou e a chuva não parou mais. A reza começou a ser feita mesmo para a manhã do dia seguinte. Quem ficou dentro do abrigo, ao menos, presenciou aquele bom papo de trilheiros. Quem estava no camping, passou perrengue assistindo o mundo desabar.

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Toda agasalhada + saco de dormir! Fazia 8ºC essa noite.

O silêncio se instaurou às 22h. Toque de recolher. Todo mundo cansado, frio, chuva…E combinamos de levantar às 5h para ver como estaria o tempo para o amanhecer. No horário de verão, o nascer do sol estava previsto para às 6h. Acordei, olhei para fora: tudo escuro, mas sem chuva. Foi o tempo de nos agasalhar, pegar a lanterna e seguir em direção à Pedra do Sino. Dali do abrigo até lá são em torno de 25min.

Fiquei com um pouquinho de medo nessa hora. Ainda meio desorientada de sono, tudo escuro, muita pedra e um solo bem molhado e escorregadio. Não foi bem o cenário que eu sonhava, por conta das muitas nuvens, mas também não posso dizer que não foi um máximo. A movimentação rápida das nuvens, a cerração, foi algo incrível! E a mudança repentina do clima nos fez descer lá de cima em meio à muita neblina e pouca visibilidade. Em um curto momento, hesitei em achar o caminho de volta.

A volta ao abrigo foi para tomar o café da manhã e preparar a mochila para descer. Nessa hora eu vi o desespero de quem levou muita comida, querendo comer tudo para não ter que carregar o peso na volta.

A descida foi um pouco tensa! Saímos às 8h40 com uma leve garoa que iniciava. Não demorou muito para que aquela chuva da noite anterior começasse de novo. Em alguns trechos da trilha, o caminho desapareceu. Estava mais fácil descer fazendo rafting do que trekking. O cuidado foi redobrado (a minha panturrilha que o diga. Nos dois dias seguintes sentia uma dor absurda na região). Descemos em 4h e sem quase nenhuma pausa para descanso.

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Rafting?

Dicas:

Recomendo o uso de bastão para a caminhada, pra distribuir um pouco do peso do corpo e não forçar as costas (lembre-se da mochila que terá que carregar). O meu bastão não foi caro. Comprei o da marca Quechua, com o custo razoável, e está me atendendo bem.

Se não tem um bastão, ou também não quer comprar, pode contar com a sorte e achar os cajados já utilizados por outros trilheiros pelo caminho. Achei bem bacana essa atmosfera de pensar no próximo!

Nunca subestime o poder de uma boa meia. A minha meia da marca Compressport resistiu bem à chuva. Molhou porque foram inúmeras pisadas nas poças. Porém, ela não encharcou. Bolhas, feridas? Nada disso eu tive.

Não esqueça de levar lanterna. Assistir ao entardecer e ao amanhecer exige o utensílio em mãos, ou se preferir na cabeça. Além disso, você está na montanha e a natureza tem vontade própria. O tempo fechou, algo saiu fora do planejado, não conte somente com a sorte.

Eu dormi no beliche e levei o saco de dormir. Não há nada além do colchão.

Toalha pesa na mochila e ocupa volume. Indico a toalha Nabaiji (80x130cm). O custo benefício é excelente e elimina o problema acima.

Carregue um chinelo na mochila. Dentro do abrigo não pode entrar de tênis.

Leve sacos de lixo. Você volta com todo o seu lixo para casa. Nada se deixa ali, somente as pegadas!

Essencial sempre carregar uma capa de chuva. O meu casaco da Trilhas e Rumos suportou bem! Porém, não usei uma capa na minha mochila, que também é da mesma marca. O tecido aguentou até onde podia, mas as minhas coisas ficaram úmidas. Algo a investir para a próxima aventura!

E, falando sobre a mochila, o que levar sempre é um assunto polêmico! Li de tudo também na internet. Mas, juntei a minha experiência com alguns pontos interessantes de pessoas que já fizeram essa subida. Eu subi carregando 6kg. É o suficiente para passar a noite lá, claro se você não estiver carregando a barraca de acampar.

Acredito que a maior duvida seja em relação à comida e bebida:

A água, eu levei 1,5L. E você não vai precisar mais do que isso no caminho. Mas, caso necessite, há muitos acessos para encher a garrafa no rio. Eu preferi me abastecer somente lá em cima, onde é a nascente. Não comprei clorin ou algo similar. Com certeza a água lá de cima é muito mais limpa da que bebemos aqui na cidade.

Já a comida, planejei todo o meu menu para não sobrar muito:

3 sanduíches natural preparados em casa;

1 pacote com 6 unidades de polenguinho;

Bananada

2 chocolates snickers

1 miojo

2 envelopes sopas vono

Cappuccino instantâneo – 100g

1 pote de salada de atum c/ batata doce

Gel de carboidrato

Salame (já fatiado)

Isso foi realmente o necessário para mim e considerando uma margem de segurança. Optei por não levar frutas. Elas pesam e dentro da mochila costumam ficar abafadas e com um aspecto horrível depois.

Lembre-se disso, quem vai carregar o peso é você!

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Éramos 3, nos tornamos 12. Isso não tem preço!

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