Eu gosto tanto de Ilha Grande que todos os anos eu vou lá e o pré requisito é explorar uma rota diferente. A ideia é conhecer a pé mesmo e sempre viajo no mesmo período: primeiro fim de semana do mês de dezembro, enquanto a grande maioria está com foco nas compras de natal, o meu pensamento é todo lá. Ainda não é considerada alta temporada pela rede hoteleira, o que é bom para o meu bolso, embora o calor já seja aquele de dezembro.
Sempre reservo 3 dias para curtir o lugar. No primeiro e segundo ano, fiquei em Abraão, na Pousada D’Pillel. Encontrei a pousada no booking.com; boas recomendações e custo-benefício. É simples, mas cama, banho e café da manhã atendem muito bem. Sem contar o staff, bem atencioso. Nos dois anos que fui, era o Roger, não sei se ele continua por lá orientando o pessoal sobre quais trilhas fazer.
Em 2018, fiz um pouco diferente e fui no feriado de 1º de maio. Reservei em um outra pousada, pois a D’Pillel estava cheia. Fiquei na Pousada Tropicana. Muito parecidas a meu ver, em estrutura de quarto, café da manhã e hospitalidade. A Tropicana só ganhou no quesito localização. Fica em frente à praia.
Angra x Ilha Grande
Estacionamento – Em dois anos seguidos eu fiquei no estacionamento Dois Irmãos. Mas, não acho uma boa opção. O lugar é um muquifo. Mal dá para parar o carro. Se você tiver um carro grande, é uma dificuldade manobrar como até mesmo entrar no estacionamento. E a simpatia passa longe.
Na terceira vez eu parei no estacionamento Praia do Anil . Tem muita placa informando como chegar no local. Espaçoso, limpo e disponibilizam o carro para te levar até o cais. Gostei do atendimento.
Catamarã – Como para mim tempo é o um fator bem valioso, prefiro pagar e sair de Angra no catamarã do que na barca tradicional. A média de travessia é de 45min. Compro o ticket lá no cais de turismo e já garanto a volta do domingo também. Tem que ficar atento a isso, porque se lotar, não tem muita opção de horário, principalmente no domingo à tarde.
Conceição do Jacareí x Ilha Grande
Para quem vem do Rio de Janeiro, sugiro parar o carro em Conceição do Jacareí. Mais perto em relação à distância de carro e mais perto quando falamos da distância de barco até Ilha Grande.
Eu fiz a reserva do estacionamento e o ticket do barco pela Objetiva Tour. Me atendeu bem. Se for em alta temporada, é válido fazer a reserva com antecedência. Nunca se sabe em relação à disponibilidade de vagas. Achei a empresa mais profissional em se tratando de toda a logística. E sobre o trajeto de barco até Ilha Grande, em 15 minutos se chega lá – R$60 ida e volta. A disponibilidade de horário também é excelente.
Abraão
Abraão é a maior vila e mais bem estruturada para receber o turismo em Ilha Grande e serve como base para conhecer boa parte da região. Em Vila do Abraão, vale a pena fazer o caminho para o aqueduto e para a cachoeira da feiticeira e curtir a tranquilidade da noite na vila. Há restaurantes para todos os públicos. Como eu faço trilha o dia inteiro, então a refeição principal fica para a noite. Eu adoro ir no Restaurante Lonier & Garoupas. Os pratos de lá são uma delícia e muito bem servidos. O filé de peixe grelhado ao molho de camarão dá água na boca e o mojito traz o frescor das noites quentes.
Com o passar do tempo Abraão está se tornando cada vez mais sofisticado. Há restaurantes muito bem pontuados, porém o preço está ficando assustador. O Lonier & Garoupas ainda continua sendo o meu preferido. Excelente comida com preço justo. A Pizzaria Fornilha também é uma boa opção para quem já começa a enjoar de comer frutos do mar. Massa Fina e atendimento rápido. Entra naquele quesito BBB (Bom, Bonito e Barato).
Lopes Mendes
Uma das praias mais conhecidas de Ilha Grande. É linda! Indo de barco, é bem rápida a chegada, mas não vejo graça. Gosto mesmo é de curtir o caminho. A Trilha Abraão x Lopes Mendes (T10 e T11) é bem definida e limpa. Há muita gente fazendo esse caminho por lá. Acho que a parte mais puxada é a do início da T10. O corpo ainda não esquentou e já começa a subir. A primeira parada é a praia de Palmas. Sugiro fazer uma pausa, nem tão rápida, porque ainda tem chão pela frente, e nem tão longa, para não deixar o corpo esfriar. Palmas é uma gracinha e se der bobeira, fica por ali mesmo.
Saindo de Palmas, mais subida, mais trilha. O trajeto todo nem é tão longo, mas as subidas maltratam. A segunda parada é a Praia do Pouso. É nela que os barcos fazem a sua parada e os passageiros seguem pela T11. Bem tranquila essa segunda parte. Ao todo, caminhando + paradas estratégicas, fizemos a trilha em 2h30min.
Antigamente era necessário levar sanduíche, água etc, porque em Lopes Mendes não tinha nada pra comprar. O turismo aumentou e a oferta também. Mas, eu ainda prefiro levar meus sanduíches na bolsa. Deixo a bebida por lá, para não carregar muito peso na mochila.
A minha última visita a Lopes Mendes, em maio de 2018, vi que o valor do Doritos nas “Barracas improvisadas” estava ao custo de R$12. É melhor não esquecer de levar comida!
*Dica – Você pode fazer a trilha só de ida para Lopes Mendes e voltar de barco. É uma forma de conhecer os dois caminhos. No final da Praia do Pouso, onde há o desembarque de turistas, só você perguntar pela volta, combinar o horário e quanto vai custar. Esteja lá no horário combinado, senão eles te deixam mesmo.
Sobre a Trilha – não precisa ter um preparo físico de atleta, mas também não dá para fazer esse caminho se é um sedentário. Tome um café da manhã reforçado, alongue e comece cedo a trilha. Roupas leves e confortáveis e um bom tênis com trava (lembre-se que é uma região de muita chuva e pode ser que o terreno esteja úmido ou molhado). Não senti necessidade de repelentes, mas o momento não está para o descaso. O uso de repelentes é imprescindível por conta dos casos de febre amarela na região. Não esqueçam, somente o repelente não é o suficiente. É necessário estar vacinado! Protetor solar e boné são imprescindíveis. Leve líquido na mochila, barrinhas de cereal e frutas. O suficiente para garantir o seu bem estar. E curta, pois o caminho é lindo!
Dois Rios
Eu não considero exatamente uma trilha, e sim uma estrada de terra. É de fácil acesso, porém um longo caminho e nem sempre plano. O chato é que algumas partes é inclinada e dá uma canseira! Fiz num dia nublado, mas havia chovido nos dias anteriores e o terreno estava bem lameado. Mesmo que vejam a informação de ser uma trilha fácil, não dá para ir de chinelo, como eu vi algumas pessoas usando e estavam sofrendo para caminhar na lama. Perdemos em torno de 3h para chegar lá, isso num ritmo bom e sem muitas paradas.
Recomendo levar lanche e água. No dia em que eu fui estava bem vazio e só tinha um cara com isopor, e mesmo assim, era somente sacolé, água e refrigerante. Aproveite para visitar o antigo presídio. Há um espaço para visitação e um tipo de museu com fotos de antigamente. Já que está ali, porque não?
Diferente de Lopes Mendes, não há táxi boat para voltar. Não deixe o retorno para muito tarde. É estrada, mas não tem iluminação e o único carro que passa por lá é o da polícia e o ônibus que transporta o povo de lá (não aberto para visitantes).
Não fomos para Caxadaço e fiquei com a sensação de quem a missão não foi totalmente cumprida. Me arrependi um pouco disso, mas estávamos cansados e para Caxadaço tinha muito mais chão pela frente. Quando eu pesquisei para saber do acesso à trilha, vi muitos comentários sobre cobras. Isso me deixou um pouco apavorada. Adoro trilha, mas cobra não dá!
Saco do Céu
Como disse anteriormente, tinha sido uma semana de chuva forte por lá e atrapalhou muito o acesso para Saco do Céu. Após a Cachoeira da Feiticeira, subidas e descidas com muita lama. Não é uma trilha difícil, mas nesse dia estava bem complicado. Fomos nos agarrando nos arbustos para descer. Dizem que Saco do Céu é incrível à noite, por conta das estrelas, o pessoal vai de barco etc. Deve ser mesmo, porque durante o dia não achei nada demais. Não sou do grupo que curte muito o turismo de barco.
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