Cusco
Com pausa de um dia para descanso, essa era a última etapa da viagem pelo Peru. O problema não foi a aclimatação, já que vinha de Huaraz, uma cidade bem mais alta. Mas, estava bem cansada das trilhas e de ter dormido no ônibus para Lima e ido em seguida direto para o aeroporto. O tempo de ter chegado foi somente para fazer o check in no Milhouse Hostel e ir para a agência Peru Grand Travel fazer a reunião de preparação para o dia seguinte. A princípio, eu viajaria com um grupo de mais três pessoas, mas por algum motivo de saúde esse grupo teve que cancelar. A agência manteve o combinado e então seria eu e um guia.
Nessa reunião descobri que a minha mochila de 60L (12kg) teria que ficar em Cusco. Não daria para carregar, principalmente por conta do 2º dia de trilha, com muitas subidas e um caminho bem puxado. Saí da reunião um pouco irritada com isso. A minha primeira reação foi dizer impossível. Quando cheguei no hostel e comecei a organizar as minhas coisas… vou ser sincera, não imaginei que daria para simplificar ainda mais. E deu. Foi uma mochila de sobrevivência para 4 dias e 3 noites: 2 meias, 3 blusas, calcinhas, 2 leggings, 1 casaco de frio e outro de chuva, tênis, chinelo e o kit higiene em miniatura. E torcendo para não suar muito…porque aí já era!

Cusco – Santa Rosa (Casa do Macaco)
Saímos de Cusco às 7h30 de carro até montanha Wakaywillca. De lá começamos a descer a serra de bicicleta. Não sou nenhuma expert e praticante do esporte, mas esse trajeto, em torno de 40km, era somente descida e algumas partes plana. Foi uma delícia!!! A única preocupação era com os caminhões e carros na rodovia, mas não pegamos muito movimento então a atenção estava voltada para o uso dos freios, principalmente nas curvas. Eu fui curtindo o visual, com algumas paradas para beber água e tirando as camadas de roupa, porque chegando na base o calor estava bem forte.

Ao final do trajeto desmontamos as bikes e seguimos de carro para o povoado de Santa María para almoçar. Um leve descanso e em seguida fomos para Santa Rosa, onde o motorista nos deixou na estrada de terra e continuamos o restante dos 2km numa pequena trilha até a Casa do Macaco. Essa hospedagem é feita realmente pelos locais e no meio do mato. Tudo bem rústico, simples, mas muito organizado e feito com carinho. Jantei cedo e fui dormir. Sem internet para distrair, e o corpo dolorido de ficar sentada numa bicicleta, não tinha outra opção a não ser descansar. O dia seguinte prometia…
Santa Rosa – Santa Teresa
Acordei péssima. Uma mal estar e não sabia de fato o que era. Cheguei a cogitar o cansaço da viagem, mas esse era um dia de muito chão e o jeito era concentrar. Estava rendendo muito pouco, nem fotos eu estava disposta a tirar. E as pontadas na barriga começaram. Dor de barriga com certeza é muito pior que altitude. A sorte é que a trilha não é puxada como a de Huaraz.
Na pausa para o almoço só consegui ficar no banheiro. Era um lugar bem simples na beira do rio, mas não dava vontade nem de sair dali. Não conseguia comer. Qualquer coisa que tentava colocar para dentro, saía. Então fiquei somente no cream cracker água e sal, gatorade e água. Desse local até as águas termais, eram mais ou menos 3 horas. Foi uma eternidade, coloquei fone para ouvir música e esquecer a minha dor.
Chegamos por volta das 16h nas águas termais. Era hora de correr para o banheiro! Mas, o interessante que os banheiros dessa região não possuem muita estrutura. Nem tampo de vaso nem papel higiênico. Quando entrei no banheiro, não vi nada e já saí perguntando onde tinha papel higiênico e uma funcionária do local me disse que na lojinha vendia. Perguntei ao guia porquê num lugar como esse, com estrutura e turismo, não tinha papel higiênico. A resposta: “Você pagou para usar as águas termais, e não o banheiro”. Sério, se não fosse peruano, diria que era piada de português.
Depois da corrida ao banheiro, fiquei lá virando “canja” por quase 2 horas na piscina. Esse lugar é um ponto de encontro de muitos mochileiros. Cada grupo vinha de um caminho. Alguns mais radicais viriam o seu primeiro banho ali após 2 ou 3 dias. Ir à Santa Teresa somente para conhecer as águas termais, não acho que valha a pena. Faz sentido ali ser o ponto final das longas caminhadas.

De lá fomos para o Eco Quechua Lodge, em Santa Teresa. E a minha felicidade em ter um banheiro só para mim e uma cama bem confortável. Só não dou pontuação máxima para o local porque faltou água quente e eu tive que usar um banheiro externo com ducha elétrica. Fazia muito frio à noite e eu realmente precisava de uma banho quente, sopa e cama!
Santa Teresa – Águas Calientes
Acordei bem melhor e resolvi encarar o canopy! A altura é sempre uma questão nas minhas viagens. Não iria perder a oportunidade, embora o frio na barriga e juntando a isso a infecção. Vale a pena ir!!! Não consegui recordar o nome da empresa, mas os caras são bem profissionais.
Após o canopy, seguimos de carro até a hidroelétrica. De lá seria mais uma caminho até chegar a Águas Calientes. Essa parte é bem tranquila. Não há subidas, é seguir a linha do trem e chegar na base de Machu Picchu. Foi batendo uma ansiedade…
Águas Calientes – Machu Picchu
Águas Calientes é uma vila. Não tem muita coisa e surgiu para atender ao turismo de Machu Picchu. Hotéis, hostels, restaurantes e lojinhas. Tudo num preço bem mais alto. Comparando com Huaraz, é um absurdo. Se preferir, deixe para comprar as lembracinhas em Cusco. Não há nada autêntico e imprescindível ali, está muito mais voltado para o Made in China.

A dica e vantagem de dormir em Águas Calientes é que se pode chegar em Machu Picchu bem cedo. Isso porque por volta de 12h é um tumulto de pessoas circulando no lugar. Machu Picchu abre às 6h e os primeiros ônibus a saírem de Águas Calientes também são nesse horário. O trajeto dura em torno de 25 minutos. O meu guia combinou de nos encontrarmos no ponto de ônibus às 5h15. Achei que fosse a primeira a chegar lá, e não é que não!!!
Tudo muito organizado, os ônibus são super confortáveis e todos vão sentados. O custo é de S/.128 (ida e volta) e é necessário comprar com antecedência, porque há um limite máximo de pessoas diárias em Machu Picchu. Quando voltei a águas Calientes por volta de 12h, lá em cima estava lotado!
Machu Picchu não há o que falar. É muita história. Como cheguei cedo, curti muito o passeio com o guia e pude caminhar com calma e sem alvoroço. Não vá sem guia, não economize dinheiro ali, porque é muito legal ouvir os peruanos contarem a história de um jeito um pouco dramático/nacionalista. Lá em cima, oferecem o serviço, mas eu não sei quanto cobram, pois o meu já estava incluso no preço total do pacote. Vale a pena entender a arquitetura local. Obviamente que para cutucar eu perguntei se eles não acreditavam em extraterrestres. Chega a ser divertido ver a expressão de ofensa no rosto deles.
Eu não fui para a montanha Waynapicchu, essa mesma que aparece atrás de Machu Picchu em todas as fotos oficiais. Se tiver interesse, tem que pagar um adicional e fazer uma reserva com ao menos 2 meses de antecedência. Uma mochileira brasileira que conheci lá me disse que é lindo demais e vale a pena ir. Porém, sem fobias, porque o acesso é horrível e há trechos onde é necessário rastejar.

Não esqueçam de carimbar Macchu Picchu no passaporte. Fica bem na porta da saída. Achei um luxo ter no meu!

Águas Calientes – Cusco
Quem vai voltar para Cusco precisa pegar o trem até Ollantaytambo. O pessoal da agência Peru Grand Travel reservou o meu assento para o trem das 18h. Eu não sabia, recebi o ingresso na noite anterior. Se alguém for para Machu Picchu bem cedo como eu fiz, não deixe para voltar nesses trens à noite, a não ser que queira curtir o dia em Águas Calientes. Embora eu afirme que não há nada demais na cidade. Eu preferi pagar mais meia diária para ficar no quarto do hotel do que ficar ocupando o tempo ao buscar algo para comprar nas lojinhas.

Arrasada de saber que Costa Rica vai ficar de fora rsrsrs. Estava esperando esse. O blog está bem legal, hein. Beijos.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Tenho muitas fotos, mas os rabiscos se perderam. Ficaria difícil dar dicas… Mas, lá é um lugar que eu quero voltar!!!! Quem sabe em breve! 😉
CurtirCurtir