Sabe aquele lugar que toca o seu coração? Mendoza é um desses. Não esperava tanto de lá e simplesmente me apaixonei. O estilo de vida dos mendocinos é bem desacelerado, com direito à siesta; rica em petróleo e no cultivo do vinho. E aquela cordilheira…incrível!
Em se tratando de clima mesmo, a cidade é bem seca. Sensacional entender a engenharia construída lá para compensar a geografia não muito satisfatória. A falta de chuva e um antigo terremoto que devastou a cidade são os assuntos mais abordados pelos guias.
Assim como em Buenos Aires, aluguei pelo Airbnb uma casa com o meu irmão. Era Próximo do Parque San Martin e também da avenida Aristides Villanueva (onde se concentram bares, pubs e restaurantes). Foram 5 noites / 6 dias, o que rendeu bastante, já que Mendoza era a minha base para conhecer San Rafael e o Parque Provincial do Aconcágua.
Dentro da cidade, não peguei taxi para nada. Fiz tudo caminhando mesmo. É uma questão de disposição. E naquele ritmo tranquilo e pacato.
Sobre as vinícolas – Não peguei van/ônibus para ficar parando em um monte de vinícola. Esperava realmente curtir alguma vinicola legal. Esse péssimo hábito de quantidade e não qualidade não é comigo mesmo. Por esse motivo, após muitas pesquisas, entrei em contato com a empresa Mendoza Wine Bike Tour . O Sérgio, dono da empresa e também guia, é uma pessoa super solícita. Pelos e-mails que trocamos, eu já percebi a atenção em me ajudar a escolher para qual região pedalar.
Valle de Uco – Não sabia qual região escolher até o Sérgio citar pontos que para mim foram decisivos: a região do Valle de Uco está próxima à Cordilheira, é lindo pedalar por lá, menos tráfego e além disso, a degustação do vinho + o almoço é incomparável. Resolvi aceitar a sugestão e não me arrependi em nada!
Não se preocupe se você não é atleta. Basta saber andar de bicicleta. O terreno é plano. Para quem não fala o espanhol, também não é empecilho, o Sérgio morou no Brasil e sabe bem o português.
Como estava fora de temporada, éramos eu, meu irmão e Sérgio. Renderam boas histórias!




Parque Provincial do Aconcágua
Esse tour é feito ao Parque Provincial do Aconcágua. Dá pra ir sozinho, contratar um taxi e economizar com o guia. Porém, relaxei muito mais indo como passageira e escutando as histórias do local. Sem estresse e correria. Fiquei fascinada ouvindo o que todos adoram contar do avião que caiu nos Andes em 1972…o caminho que fizeram, sem saber o mais longo, e atravessaram os Andes, quando conseguiram socorro em Mendoza!
Eu fiz esse passeio com a agência Kahuak, indicação do anfitrião da casa em que fiquei hospedada. Também indico pelo profissionalismo e custo/benefício. Prepare que é um passeio de dia inteiro. Não esqueçam de levar uma mochila com lanches e roupa de frio (gorro, luva e casaco). Isso porque dentro do Parque é muito frio e não importa a época do ano. Aquele vento dos Andes atravessa a alma, corta o lábio e resseca o rosto todo. Em relação à comida, o passeio não inclui almoço. É por sua conta, mas falta opção. E lá dentro do Parque só tem uma. Eu não fui com a cara da comida… sorte minha que levei sanduíche na mochila!
Embora pareça um passeio muito puxado para os mais sedentários, não há restrição. Ir até o mirador do Aconcágua e caminhar por partes do Parque não exigem um grande condicionamento físico.
Em Mendoza come-se muito bem. Não percam a oportunidade de experimentar o sanduíche de lomito (que é o nosso filé mignon) no restaurante La Lucia. Fui pela própria indicação dos mendocinos. “Como ir à Mendoza e não provar um sanduíche desses?”
E repito o mesmo! Como ir a Mendoza e não experimentar? O sanduíche é de filé mignon com ovo, alface, tomate e cebolas caramelizadas. Incrível o sabor e incrível o tamanho. Dá para dividir fácil!!!

Helados Ferrucio Soppelsa – Se estou na terra do doce de leite, não tem como não experimentar o considerado o mais mais tradicional para os mendocinos. Pedi de doce de leite com nozes e posso dizer: é maravilhoso! Há de diversos tamanhos! Comprei o pequeno, com 2 bolas ($15) e sentei na Plaza Independencia para curtir esse momento.
Taste Mendoza walking Tour – A cultura do walking tour na Europa e na América do Norte já é bastante conhecida, mas acho que na América do Sul ainda estamos um passo a trás. Entrei em contato com a empresa pelo facebook. Magdalena, que foi a minha guia, é solícita do inicio ao fim.
Mendocina e conhecedora da cidade, explicou sobre a arquitetura e muito da história desse lugar. Foi um passeio muito agradável. Conversamos, pausa para fotos e curtindo um lindo sábado de sol. Um forma de viver um pouco a cidade sob um olhar de um local. No final, paramos numa loja de vinho e degustamos 2 tipos diferentes, além de azeites.
San Rafael
Fica um pouco distante da Cidade de Mendoza, mas queria muito visitar o Canyon. Tinha 2 opções, passar a noite em San Rafael ou procurar alguma agência na cidade de Mendoza que fizesse esse passeio, mesmo com a distância (aproximados 250km).
Decidi pela segunda opção e também fiz esse passeio com a agência Kahuak. Para ir a San Rafael o passeio é longo: saímos às 7h de Mendoza e com retorno às 22h. Fomos em um grupo pequeno de argentinos, chilenos e nós brasileiros (me surpreendi em sermos os únicos).



O lugar vale uma atenção! Tem uma beleza natural e visitar um lugar onde o turismo ainda está começando a ser descoberto, dá um charme ainda maior. Há opções de rafting, passeios 4×4, canopy. Eu fiz rafting. Decidi lá na hora e mesmo que você não planeja, leve uma roupa para trocar, pois chegando lá bate uma vontade louca de fazer. E molha, mesmo com a roupa de rafting que somos obrigados a vestir por cima.
Nunca tinha feito e obviamente o grau de dificuldade não é absurdo. O que vale é a diversão!
A volta para casa e as garrafas de vinhos
Felicidade é saber que dá pra voltar para casa com alguns vinhos maravilhosos da região. Na Aerolíneas Argentina é possível transportar 2 garrafas de vinho por passageiro na bagagem de mão.
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